Jung em Porto: uma história – Elisabete Christofoletti

JUNG EM PORTO: UMA HISTÓRIA

Elisabete Christofoletti

Psicóloga, Mestre em Educação, Analista Junguiana-SBPA

Porto Velho – Rondônia

elisabete.christofoletti@gmail.com

            No ano em que a SBPA – Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica comemora trinta anos de vida no Brasil, na Região Amazônica, no nosso “Oeste Longínquo”, em Rondônia, na cidade de Porto Velho, comemoramos os oito anos de um grupo que resultaria, hoje, no GPA – Grupo de Psicologia Analítica de Porto Velho.

Ao longo dos anos, temos construído uma história, reunido pessoas buscando estudar, formar profissionais que consigam se aproximar e tomar nas mãos, no coração e no pensamento o referencial teórico da psicologia analítica, para atuar dentro de um padrão ético e teórico com competência e seriedade.

Já no aeroporto, depois de longa espera, de atrasos sem justificativas ou mesmo informação, aquelas cadeirinhas que antes pareciam tão apertadinhas, agora parecem mais com um sofá de avó (daqueles que sentamos confortável e longamente), dado o tamanho do desejo de estar voando.

Moças e moços bem penteados, com sorriso no rosto e habitualmente muito perfumados dizem que somos bem vindos (difícil acreditar, afinal buscamos por informação a pouco e ninguém nos atendeu), em seguida, as orientações: “em caso de despressurizarão, máscaras de oxigênio cairão automaticamente, puxe-as, coloque sobre a boca e nariz e depois, somente depois auxilie crianças e idosos”.  Primeiro colocar a máscara … depois auxiliar … como nos apropriamos desta orientação no quotidiano.

Este artigo começa a ser escrito dentro do avião em um dos tantos vôos que deveriam ser de sete horas, mas que habitualmente podem triplicar ou se multiplicar, transformando-se em verdadeiros propedêuticos, vôos que permitem entrar em contato com o aprendizado de forma sistemática do curso de Formação de Analistas organizado pela SBPA.

Quando as luzes se apagam, o silêncio da aeronave interrompido pelo choro de uma criança, pela conversa em tom de voz mais elevado, o cheiro de bebida alcoólica de alguém que se excedeu, o viajante da cadeira ao lado que demonstra incômodo pela luzinha de leitura acessa, a tela do computador, ou ainda o vizinho que gostaria de conversar, são situações que vão compondo cada capítulo desta jornada, o contexto no qual tantos pensamentos, idéias novas, e projetos vão se configurando.

Este é um dos momentos de coagulação, solidão, celular desligado, carregando todas as vivências dos últimos dias em terra visitada e permitindo a aproximação da saudade do cheiro de casa, o sonho com o abraço no aeroporto, o teclado pode por vezes parecer opaco, mas o pássaro de ferro segue como quem sabe o caminho e aonde chegar (piloto automático ou não), um caminho com o qual tem muita intimidade, por vezes o trecho final parece muito mais longo que de fato.

Para o curso de formação de analistas, serão no mínimo 224 horas de vôo, sem os incontáveis atrasos, as malas perdidas, as horas nos aeroportos (e aja criatividade para buscar argumentação em tempos de crise no convencimento da urgência de ser incluída no vôo seguinte) para não perder o horário da análise, da supervisão, dos seminários.

Esta história poderia ser a de muitos colegas, como outras vividas por aqueles que fizeram também sua trajetória, seu caminho, para completar a jornada, realizando algo que entendiam ser importantes, ou para simplesmente cumprir o caminho do Self, por isso também única.

Rondônia em seu mito de criação…

Em um dos primeiros atendimentos que realizei em Porto Velho, acolhi a imagem de que vir para cá era como morrer, uma sensação de ruptura, serviço telefônico de qualidade ruim, os vôos raros e caros não favoreciam muitas visitas, era possível saber do mundo de lá (de outros mundos, do Estado de origem), mas dificilmente alguém via algo daqui do próprio lugar, mesmo na TV … assim deveria ser a morte, vemos todos, mas ninguém nos vê.

Como grande útero, quente e úmido, Porto Velho traz consigo toda a possibilidade de criação, de geração de vida, enquanto também carrega fortemente inúmeras histórias de morte, de usurpação, agressividade. Vivemos hoje a construção de duas hidroelétricas no Rio Madeira e o suposto alagamento da Igreja de Santo Antônio, marco fundador da cidade; a reabertura do Garimpo; a devastação agora legalizada. Nada se preserva, nem se restaura, o vinculo com o lugar é tomado pelos opostos.

Movidos por dois impulsos: chegada e partida (escrita pela estrada de ferro Madeira Mamoré), morte e vida, resistência e sobrevivência, negar e criar possibilita a convivência de duas formas geradoras de vida mítica, tornando Porto Velho o lugar possível, onde se escreve o sonho ou o pesadelo dos sonhos desfeitos.

Em terra de “far west” como tantos dizem, é muito mais tentador e fácil viver olhando para fora, principalmente quando nunca se desejou sair do lugar de onde se veio. O Prof. Dr. Nilson Santos em sua tese de Doutorado “Seringueiros da Amazônia. Sobreviventes da Fartura” nos apresenta no relato de sete seringueiros e a vivência dos processos de individuação, entrelaçados nos mitos dos Povos da Floresta por eles relatados.

“Como eu consigo me entender” ou “Quando eu me entendi por gente”, estes são em boa parte o início dos relatos das histórias de vida. O re-conhecimento de si vinculado ao início da vida como trabalhador da seringa. A partir da mitologia da comunidade é possível re-significar sua condição de existência, onde a mitologia da floresta vem sendo substituída pela mitologia do mercado.

Os Soldados da Borracha chegaram a Rondônia antes da construção da estrada de ferro Madeira Mamoré. Vieram para trabalhar no corte da seringa, retirar o leite da vida e da morte (borracha a serviço da guerra). A maioria nunca conseguiu retornar às cidades de origem, o governo não cumpriu o prometido de que os “Soldados da Borracha” que vieram, em sua grande maioria do Nordeste, receberiam apoio, boa remuneração, retornando para casa no fim da guerra.

Muitos dos seringueiros que continuam trabalhando no corte da seringa são filhos, netos destes migrantes, que lutam ainda hoje para proporcionar a seus filhos estudo dentro das Reservas Extrativistas, podendo ali permanecer e melhorar as condições de vida da comunidade.

É no corte delicado do caule da seringueira, do sangramento lento que escorre o leite, desta alegoria de vida o GPA buscou o símbolo que o representa, como possibilidades de criação neste lugar, de um útero para o desenvolvimento da psicologia analítica.

De 1992 a 1999, a partir de estudos realizados em Campinas, tendo como referência o trabalho de Pethö Sándor, vinculado ao Instituto Sedes Sapientiae, participação em encontros organizados pelo Aion, por Eliana Basílio, tivemos contato com os trabalhos de sonhos dirigido por Marcos Callia e Marcos Fleury, analistas da SBPA.

Em 2000, em Porto Velho em conjunto com a Universidade Federal de Rondônia, através do Centro de Hermenêutica do Presente, coordenado pelo Prof. Nilson Santos, e o Centro de Vivência em Psicologia, coordenado por Elisabete Christofoletti, aconteceu o curso e workshop “Sonhos e Intimidade”, contando com o analista Marcos Callia. Após o curso, um grupo de alunos de Psicologia demonstrou interesse em estudar psicologia analítica.

Assim iniciamos as primeiras reuniões semanais de estudo no Centro de Vivência, nos servindo de casa e apoio, vinculado ao Centro de Hermenêutica do Presente, como grupo associado. Ainda neste ano temos o primeiro trabalho de psicologia analítica saindo de Porto Velho para apresentação no II Congresso Latino Americano de Psicologia Junguiana “Psicologia e Narrativa: Psicologia Textual”, assim como a primeira presença no Moitará.

No ano de 2001, realizamos uma palestra no Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia “A Relação Pais e Filhos”, no Conselho Regional de Psicologia-RO “Formação da Alma Brasileira” e no Conselho Estadual da Criança e do Adolescente “Violência é Covardia, as Marcas Ficam na Sociedade”.

No Grupo de Estudos, realizamos um Seminário sobre Símbolo e Signo, proferido pelo Prof. Nilson Santos que foi de grande relevância para a compreensão dos conceitos que viríamos a estudar e a ampliar o olhar.

A participação em atividades abertas, e ocasionais promovidas pela SBPA em São Paulo forma sendo somadas.

2002 foi o ano que parte dos membros do Grupo de Estudos terminara o curso de graduação na Universidade Federal de Rondônia. Pela primeira e única vez, conseguimos um espaço importante, supervisionando o estágio em psicologia analítica, atendendo a necessidade dos membros do grupo de estudos, abrindo vagas também para outros alunos.

Em 2003 realizamos em Porto Velho o workshop “Mitos e Magia com os Povos da Floresta”, um trabalho de incubação de sonhos, visando atender as necessidades dos membros do grupo de estudos.

Acontece neste ano o III Congresso Latino Americano de psicologia analítica e o GPA tem três trabalhos apresentados, e um trabalho publicado em periódico.

Os convites para palestra nas faculdades particulares e colégios surgem, sempre em busca do referencial teórico Analítico.

Convidados para ministrar uma disciplina em um curso de especialização de psicologia e educação em 2004 oferecemos uma disciplina permeada pelo pensamento Junguiano e pós-Junguiano, que sendo bem recebida, foi oferecida novamente no ano subseqüente.

No grupo de estudos, iniciamos neste ano nosso “Ciclo de Cinema”, realizado até hoje, quando convidamos profissionais de diferentes áreas de formação, com o comum interesse pelo cinema para que contribuam com seu universo de conhecimento teórico e vivencial.

Os cursos abertos realizados em 2005, em São Paulo pela SBPA, continuaram sendo importantes, mas não conseguem mais alimentar a necessidade mais sistemática gerada ao longo destes anos, obrigando uma interlocução mais freqüente.

Este foi um ano importante para a dinâmica do grupo de estudos, continuamos a estudar, pela primeira vez em conjunto o grupo apresenta no Encontro Rondoniense de Psicologia um painel, com a análise do filme “Coração Satânico” debatido em nosso ciclo de cinema.

No IV Encontro Regional de História Oral-Norte, foi apresentado “Fronteira? Limites?: Psicologia Textual”, utilização da História Oral como método de trabalho com referencial analítico, e por fim, a participação em uma mesa redonda, promovida pelo SESC no projeto “Palco Giratório”, com “Os Anjos de Nelson” discutindo os aspectos psicológicos dos personagens femininos Rodriguianos.

Mas, o ano, de fato foi de muitos ganhos. O GPA ganha fôlego para trazer um analista vinculado a SBPA que trabalhará auxiliando a organização e o aprofundamento dos conceitos que havíamos trabalhado até aqui, partindo das leituras: O Penitente Isaac Singer), O Perfume ( Patrick Süskid), Um Mundo Transparente (Morris WEST), Memórias, Sonhos e Reflexões (C. G. Jung), O Homem e seus Símbolos (C. G. Jung), Tipos Psicológicos (C. G. Jung), A Energia Psíquica (C. G. Jung), Simbolos de Transformacion (C. G. Jung), A Imaginação Simbólica (Gilbert Durand), Artigos de várias Revistas Junguianas, . Podemos ser Curadores, mas Sempre…Também Feridos! (Eduardo Vasconcelos).

Neste processo, encontramos um grande Amigo, Parceiro e Competente, o analista Arnaldo Motta, que se prontificou a conhecer o trabalho realizado em Porto Velho e que com generosidade, colaborou na elaboração de uma proposta para o GPA, vindo a Porto Velho e realizando “Jung no Porto – Vivências e Conceitos de psicologia analítica” totalizando 40 horas de trabalho.

Como parte das atividades, sempre tivemos a preocupação e interesse em ampliar, oferecendo a quem tenha interesse acesso ao pensamento de Jung. Assim oferecemos uma palestra na Universidade Federal de Rondônia, em conjunto com o Centro de Hermenêutica do Presente, Núcleo de Pesquisa ao qual o GPA está vinculado.

Arnaldo Motta, também participou de um curso de Arte, coordenado pelo Prof. Nilson Santos apresentando Nise da Silveira e um vídeo sobre Fernando Diniz.

Tomada a decisão de trazer um curso coordenado por alguém de fora do Estado, nos deparamos com um problema: como custear? Nasce a idéia dos nossos divertidos “Rodízios de Pizza”. Além de ser rodízio mais caro da cidade, tivemos a certeza que só os amigos mesmo é que poderiam contribuir com nossa empreitada.

Mais do que o ganho econômico, ganhamos cooperação entre o grupo, amigos, parceiros, e a solidariedade da proprietária da pizzaria, que fechou suas portas após nosso último rodízio, já que neste espaço será construído um dos tantos prédios que tomarão os céus de Porto Velho nos próximos anos.

Preocupados com as atividades culturais nos rodízios, organizamos: exposição de artistas plásticos e rodamos “curtas” produzidos por nossos artistas e cineastas.

2006 trouxe novos projetos. Regina Bíscaro, responsável na SBPA pelos cursos abertos discute conosco possibilidades para parceria da SBPA e GPA.

Vínhamos há algum tempo recebendo solicitações de pessoas da psicologia e outras áreas de formação, com interesse em ingressar no GPA, mas como receber pessoas em um grupo que já caminha sem gerar perda de interesse dos que já estão, e ao mesmo tempo, permitir que aqueles que querem conhecer a psicologia analítica possam fazê-los, já que somos o único grupo na região que trabalha e estuda Jung sistematicamente, resultando na criação de um Curso de Extensão Universitária com 60 horas.

Elaboramos uma proposta neste formato: “Jung, Símbolo e Hermenêutica”, com a duração de 17 aulas, sob a coordenação de Elisabete Christofoletti e de Nilson Santos,  onde os membros do GPA assumiriam algumas aulas, como de fato aconteceu com Daniella, Daniele, Maria de Fátima, Camila, Roberta, Patrícia.

Tínhamos a expectativa de receber em torno de trinta pessoas, assim acreditávamos que seria possível dar aos encontros o caráter de Grupo de Estudo, trabalhar com um diálogo estreito, proximidade. Mas a história nos preparou uma grata e trabalhosa surpresa, tivemos 335 pessoas participando do curso. O que seria “roda de conversa”, se transformou, da noite para o dia para, em conferências. Estas são imagens bonitas de deixar na lembrança: auditório lotado, as pessoas se ajeitando pelos corredores, pelo chão, janelas abertas, o ar condicionado não conseguia refrigerar o ambiente, o som não atendia dada a quantidade de pessoas no auditório.

As semanas que se seguiram foram de muito trabalho, decidimos transferir o curso para o campus da Universidade (dez km da cidade), mas terminávamos muito tarde e não havia transporte para todos retornarem, chegamos a parar ônibus na estrada e assim garantir que nossos alunos pudessem voltar para casa. Foi quando saímos em busca de um auditório e gratuito. Conseguimos acesso ao auditório do Ministério Público que foi nossa casa durante todas estas semanas.

Com tantas surpresas, as aulas-conferências também precisaram ser re-organizadas, os membros do GPA não tinham experiência suficiente para assumir as aulas dentro desta nova configuração.

Foram gratas surpresas e descobertas a cada aula, pudemos acompanhar tantas formas de esforço pelas quais nossos alunos passaram para poder estar ali estudando, que nos renovávamos do cansaço para a empreitada da semana seguinte.

Continuamos com as reuniões de estudo do GPA a cada três semanas neste período, Arnaldo retorna para um segundo curso com o GPA. Desta vez introduzimos a possibilidade dos membros do GPA fazerem supervisão, o que mantemos até hoje. Efetivamente são sessões de supervisão/análise, dada a dificuldade de se obter atendimento adequado em Porto Velho. Além do trabalho com o grupo, Arnaldo fez uma das aulas do Curso de Extensão sobre depressão.

No IV Congresso Latino-Americano de Psicologia Junguiana, apresentamos quatro trabalhos: “Olhar Junguiano na Amazônia”, “Psicologia Junguiana e Psicologia Textual”, “Seringueiros da Amazônia” e “Diálogo: A Educação Aprendendo com a Psicologia”.

Mas de fato este foi também um bom ano, a notícia de que a SBPA estava abrindo um processo seletivo para a Primeira Turma de Formação para pessoas que morassem fora do eixo Rio-São Paulo, foi muito mobilizador. Permitiu aos membros do GPA abrirem novas perspectivas em termos de estudo e formação.

Após o curso de extensão, continuaram a procura por outros cursos e a continuidade do que havíamos oferecido. Decidimos abrir uma nova turma de estudo no ano de 2007.

Ainda neste ano estudamos: Fundamentos de Psicologia analítica (Jung), O Processo Terapêutico na Caixa-de-areia (Estelle l. Weinrib), Mitanálise Junguiana (Pierre Patrícia – Solié), Estudos de Psicologia Arquetípica (James Hillman), Sonhos e Gravidez (Marion Rauscher Gallbach), A Rua Como Espaço Clínico (Equipe de Acompanhantes Terapêuticos do Hospital Dia A Casa), Puer Aeternus (Marie-Louise Von Franz),  A Natureza da Psique (Jung), Diário de uma Secreta Simetria (Aldo Carotenuto), Corpo Sofrido e Mal-Amado (Lucy Roberta – Penna), Fragmentos: Memórias de uma infância 1939-1948 (Binjamin Wilkomirski).

Iniciamos 2007, com processo seletivo para a nova turma do GPA, finalizando ao todo 30 pessoas, número que tem se mantido.

Em conversa com o analista Victor Palomo, responsável neste momento pelos cursos abertos na SBPA, juntamente com Arnaldo, entendemos que seria importante abrirmos para que o GPA pudesse ter contato com outros analistas, outras formas de pensar, vivenciar e trabalhar a psicologia analítica. Decidimos o tema “Inconsciente”, o convite foi feito na SBPA.

Tivemos neste ano a grata, generosa e competente participação da Analista Sylvia Mello Silva Baptista, que veio a Porto Velho, trabalhou com o GPA durante 26 horas, fez supervisão e fez palestra aberta sobre “O Arquétipo do Caminho. Guilgamesh e Perceval de mãos dadas”, para a qual reunimos 143 pessoas.

Durante o ano seguimos estudando: Siddharta (Hermann Hesse), Os parceiros invisíveis (John a. Sanford), She e He (Robert a. Johnson), O Código do Ser ( James Hillman), Diagnóstico Compreensivo Simbólico.     Uma Psicossomática para a Prática Clínica (Suzana Serino), Conversando com a Doença. Um Diálogo de Corpo e Alma (Albert Kreinheder), Drogas. Uma Compreensão Psicodinâmica das Farmacodependências (Dartiu Xavier), A Psique do Corpo ( Denise Ramos), Psicologia do Inconsciente (Jung), A Morte de Ivan Ilitch ( Tolstoi), A Face Oculta de Eva (Nawal Saadawi), Memórias Póstumas de Braz Cubas (Machado de Assis).

Em 2008, o GPA está mais faminto, tem necessidade de ser mais ousado e se organiza para fazer dois cursos, e assim tem seguido.

Não temos mais a pizzaria para nosso rodízio, o grupo descobriu o churrasco e as diferenças entre seus membros, despertando a tolerância religiosa, os ritmos tão distintos com os quais temos quotidianamente aprendido a conviver.

Entre estudo, discussões para melhorar as finanças, organizamos o “Jung no Porto – Sandplay” quando recebemos a analista Patrícia Dias Gimenez, que trabalhou por 34 horas com o GPA, foi pacienciosa, competente, cuidadosa, fez supervisões e uma palestra aberta a comunidade na Universidade Federal de Rondônia, quando na véspera de feriado, reunimos 230 pessoas para discutir “Desenvolvimento na Abordagem Junguiana com Ênfase no Infantil: importância do Brincar e da Fantasia”. O trabalho com as imagens possibilitado pelo Sandplay ampliou horizontes.

A descoberta do Sandplay foi importante para o GPA, que chegou mobilizado para o trabalho, com todas as leituras feitas, depois de ter passado pela vivência muito forte do preparo da areia.

Temos tido a prática de fazer duas leituras de férias (no período do final do ano), sendo uma delas comum a todos os membros do GPA. Neste ano lemos o Livro Tibetano dos Mortos, Visão Simbólico-sistêmica da relação Transferêncial, como um processo de Interação Energética Gerador de Consciência (Maria Zélia Alvarenga), A Criança Como indivíduo (Fordham), O Arquétipo do Caminho. Guilgamesh e Perceval de mãos dadas (Sylvia Baptista), Amor Conjugal e Terapia de Casal (Vanda Di Yorio), A Fantasia rasgada. Vivência de um Campo Interacional Constelado por Símbolos Expressivos do Arquétipo do Mestre-Aprendiz (Laura Villares de Freitas), A Ponte de Madeira (Arnaldo Motta), A Teoria do Apego (Gilda Montoro), A Virgem e o Curador Ferido (Antônio Carlos Garcia), Instituição: Útero e Prisão. Leitura Simbólica e Análise Institucional (Isabel Labriola), Fragmentos (Cario Abreu), A Mulher de Trinta Anos (Balzac), Arabescos Aéreos (Rubens Cavalcante), A insustentável Leveza do Ser (Kundera), A Revolução dos Bichos (George Orwell), Vestido de Noiva e A Mulher Sem Pecado e O Beijo no Asfalto (Nelson Rodrigues), Romeu e Julieta ( Shakespeare), Vinte Mil Léguas Submarinas (Julio Verne), Don Quijote de La Mancha (Cervantes), Os Sertões (Euclides da Cunha).

Ao longo destes anos, desde 2004 em nosso ciclo de cinema discutimos: Coração Satânico,  Pollock, Amarelo Manga,  Encontro Marcado, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças,Uma Lição de Vida, As Invasões Bárbaras, Frankstain, Simples como Amar, Freud para Além da Alma, Festa em Família, Dogville, Manderlay, Vídeo sobre  Leila Diniz, A Missão, Os Fantasmas de Goya.

Mas a distância é também concreta não é só líquida como postularia Z. Bauman, mas em tempos de modernidade, nos impulsiona a pensar em quais alternativas teríamos para efetivamente minimizar as distâncias, ou torná-las mais plásticas, possibilitando o aumento de contato com pessoas, instituições, conversar, estudar, ter acesso a análise e supervisão, tudo isso dentro de uma leitura teórica da psicologia analítica. Analista vinculado a IAAP o mais próximo fica a três mil km. Como fazer então?

As distâncias físicas do país em que vivemos, (quantas Itálias? quantos Portugais?), já vem produzindo novas situações, novos contextos.

Em 2007 teve início à primeira turma de formação de analistas para não residentes no eixo Rio-São Paulo, será que não precisaremos este século XXI buscar em todos os nossos heróis, energia, força e sabedoria para continuarmos neste processo de investimento tornando viável o acesso à psicologia analítica?

Ao longo da história constatamos que a necessidade também nos tem auxiliado, forçando-nos a criar novos caminhos.

Seria a internet uma dessas possibilidades?

Orkut, Blog, E-mail, MSN, Skype, termos incorporados em nosso vocabulário, os adultos de hoje não vem tendo muito a opção entre aceitar ou não, amigos reencontrados, amizades, namoros, casamentos, rupturas…

Impossível pensar a vida sem internet. E a nossa vida de analista com a internet?

Pela internet muitos pais bisbilhoteam a vida de seus filhos, tem acesso às notas escolares dos filhos com senha própria, controlam a presença destes em sala de aula, os mais sofisticados os acompanham dentro da sala de aula em tempo real, fazemos compras pela internet, consultamos o Google sempre que necessário.

Robert Bosnak em seu site http://www.cyberdreamwork.com, oferece um espaço virtual para trabalho com Sonhos; em sua monografia apresentada para conclusão do curso de formação da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica Marcos Fleury que faz um estudo de sonhos, faz referência a alguns trabalhos realizados pela internet. Nos periódicos de saúde, vez por outra, encontramos artigos discutindo o uso da internet no trabalho terapêutico.

Em certa ocasião ouvia uma palestra de um escritor quando o público (maioria adultos) divertiu-se muito com o comentário de que é fácil perceber quando numa casa existem adolescentes: é só olhar para o aparelho de DVD, se a hora estiver acertada e o display não estiver piscando, temos adolescente na casa.

Talvez precisemos dar espaço ao adolescente que vive dentro desta senhora Balzaquiana (SBPA) que carrega tanta responsabilidade, mas que tem também uma família bastante diversificada e inquieta.

Mas como garantir que pela escrita, por exemplo, poderíamos vivenciar os elementos que julgamos importantes para o processo analítico?

Acreditamos que existam outros grupos pelo país como o GPA, que lutam dia a dia para satisfazer a necessidade de fazer uma psicologia analítica, encontrar caminhos que facilitem os milhares de quilômetros a serem percorridos, precisaremos continuar sendo ousados.

Por um momento a voz do piloto interrompe o silêncio e com satisfação avisa: “acabamos de receber autorizar para pousar no aeroporto Governador Jorge Teixeira em Porto Velho, Rondônia. São 02:40 horário local, o tempo está agradável, o termômetro marca 30’. Que todos tenham feito uma boa viagem e sejam Bem Vindos”.

O pássaro de Ferro tem suas portas abertas e somos tomados por um bafo de 30’ como um abraço, quente e úmido, aquele que ainda aguarmos encontrar no saguão.

Chegamos.

Sejamos todos, de fato, bem vindos.

#psicologia analítica#

#Jung#

#amazônia#

#analytical psychology#

#amazon#

#jung#

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s