Camille Claudel – Criação e Loucura – Liliana Wahba

WAHBA, Liliana Liviano. Camille Claudel. Criação e loucura. Rio de Janeiro: Record/Rosa dos Tempos, 1996. 177p.

 

O livro propõe o estudo do complexo processo da criação com seus aspectos construtivos e destrutivos, e o sofrimento de pessoas que possuem talento e genialidade artística.

Personalidades que se afastam das expectativas sociais e familiares devem lutar penosa e arduamente para conquistar o que desejam. Aquelas atingidas pelo dom da criatividade, em geral, sofrem embates penosos. Camille Claudel, escultora francesa nascida no fim do século XIX, acometida por uma psicose paranóide, é uma dessas pessoas.

O livro faz uma análise da vida e da obra de Camille Claudel e relata os primeiros anos de sua vida até a maturidade, o encontro com Rodin, mestre e amante, o desespero diante de dificuldades materiais intransponíveis e a separação de Rodin. Após tal separação, o ódio pelo amante e a dor do abandono unia-se à relação hostil e tensa com a mãe e à frustração com seu papel de mulher na época.

A descrição de sua internação forçada num asilo em precárias condições e suas cartas pungentes retratam uma personalidade complexa, lúcida e afetiva apesar dos surtos delirantes. A loucura aparece, em parte, como uma tentativa desesperada de se proteger de conflitos insolúveis nos quais aspectos pessoais e culturais se entrelaçam.

Descreve-se também a personalidade e a força criativa de Rodin, e como o meio artístico francês respondia à obra dela.

A grandiosidade de sua obra é abordada, com interpretações simbólicas sobre sensibilidade, esperança, pureza, feminilidade, graça, desejo amoroso, tristeza, criatividade, reveladas pela destreza ímpar de artesã e permeando as relações humanas com sua beleza e seu drama inerentes.

Analisam-se os fatores que bloquearam a estupenda produção, o silêncio artístico imposto por sua psique atormentada.

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2 pensamentos sobre “Camille Claudel – Criação e Loucura – Liliana Wahba

  1. O livro traça em detalhes a trajetória da artista, analisando diversas cartas da própria Camille e também algumas de suas obras. É impressionante o quanto as relações familiares e a confluência das projeções sociais podem refletir em grandes consequências para a estrutura pessoal da psique.

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