A Música e as Emoções – Marcela Brito

A MÚSICA E AS EMOÇÕES:

Um estudo sob a ótica da Psicologia Analítica

A música tem uma relevância importante na história, pois além de ajudar a construí-la foi muito utilizada como meio de cura, seja de doenças consideradas do espírito ou de fenômenos naturais. Muitas tribos indígenas também a utilizam como meio de comunicação para alcançar os espíritos. Desde que o homem existe a música está presente e hoje essencialmente vinculada à manifestação de emoções (BARATELLA, 2008). Ela nos acalma, anima, consola, inspira, excita, emociona, pode nos ajudar a obter organização ou sincronia quando estamos trabalhando ou nos divertindo (SACKS, 2007). Também pode agir como disparadora de pensamentos novos, idéias criativas e lembranças, que talvez, de outra maneira, nem chegasse até a consciência (MALAVAZI, 2000)

A canção tem o poder de ir fundo às mais recônditas regiões da psique, ativando quase todo o cérebro humano; dos centros nervosos sensitivos ao córtex pré-frontal induz a produção de dopamina, serotonina e adrenalina. Envolve muitas funções do homem, as atividades racionas, emocionais, a memória e os movimentos do corpo humano (SILVA, 1950). Dessa forma podemos inferir que a música tem uma forte influência sobre o ser humano.

A sensibilidade ao som é inata ao homem; ao longo dos seus estágios de desenvolvimento, desde a infância até a fase adulta a música se mantém presente marcando momentos. Uma canção favorita que traz lembranças, momentaneamente, recria o modo como sentimos da primeira vez aquilo que veio resgatado pela memória. Ao escutar uma música melancólica, subitamente a pessoa comove-se a ponto de chorar quando a melodia mexe com a memória inconsciente de uma perda que nunca foi lamentada, por exemplo. No entanto, uma composição alegre e animada pode tirar a pessoa de uma prolongada fase de depressão e desespero (GAYNOR, 1999).

Em processos terapêuticos a música é vista como uma possibilidade de dialogar com o inconsciente. Para a Psicanálise a música é tida como linguagem não verbal, uma espécie de linguagem emocional, que tem a capacidade de atingir a psique do sujeito com um caráter associativo (JARDIM, 2000). Ela é considerada “um meio privilegiado de expressar sentimentos, emoções e afetos” (COSTA, 1989 p.36).

Como somos criaturas impulsionadas por emoções, imagens e memórias, sonhamos e sentimos tanto como pensamos e ponderamos; no mínimo uma grande parcela do pensamento é colorido e modelado por emoções. Portanto, a música pode influenciar a constelação de um complexo afetivo por estar ligado a uma forte carga emocional. Também pode ajudar a ativar conteúdos inconscientes que já estão ligados a outros conteúdos com componente arquetípico (STEIN, 1998).

Os complexos, além de terem um componente inato, são produtos de experiência e vivências como traumas, interações com o ambiente conflitantes, padrões familiares e condicionamento cultural. Logo, se a música estiver inserida nesse contexto da vida do indivíduo, também faz parte da constituição do complexo ou mesmo possibilitar sua ativação.

Resumo

Este trabalho objetivou a observação das fantasias e emoções estimuladas por músicas significativas na história de vida do indivíduo. A música foi utilizada como instrumento mobilizador de conteúdos e símbolos, manifestados por meio de produção expressiva (autobiografia). A pesquisa foi realizada com dois sujeitos, aos quais se aplicou a escuta musical e relatos autobiográficos antes e depois dessa escuta. Para a análise dos dados obtidos foi utilizado o método de análise qualitativo de conteúdo. Pode-se notar nos resultados que, mediante a escuta musical, os sujeitos trouxeram à tona sentimentos e emoções que modificaram a forma de se expressarem. Outro aspecto constatado foi a possibilidade da música contribuir para compreensão e manejo dos complexos, em função das associações e emoções evocadas ou servindo de catarse, promovendo alívio. Assim como as mudanças de percepções em suas subjetividades, houve a re-significação e aprofundamento de questões sobre si-mesmo. Por fim, aventou-se que a música tem relevância e efeito sobre o homem, podendo ser utilizada em vários campos da saúde.

O tema proposto pelo trabalho torna-se pertinente, pois a música é capaz de influenciar o desenvolvimento do indivíduo tanto para criatividade como em um processo terapêutico. A psicologia estuda as emoções; a música é uma arte que evoca emoções e fantasias, sensibilizando para novas percepções e colaborando para o desenvolvimento humano.

Para conhecer mais, lhe convidamos a ler:

BRITO, Marcela Horácio. A música e as emoções: um estudo sob a ótica da Psicologia Analítica. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2009. Orientadora: Profa. Dra. Liliana Liviano Wahba.

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