Pode Crer, Amizade!

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PODE CRER, AMIZADE!

Sérgio Vaz

A Amizade sempre foi e é um dos combustíveis da minha vida. Como poeta então… é quase impossível caminhar sem eles, os amigos. Sempre fui um cara de gangue, de turma, de galera, de patota, enfim, sempre rodeado de gente. Não que todos fossem meus amigos e que eu fosse amigo deles, mas o coletivo era o que imperava, e impera até hoje. Quem é, sabe do que estou falando. Muitos anos se passaram e são poucos que sobreviveram ao tempo, para minha tristeza e para minha alegria. Coração de poeta é terra que ninguém pisa, quem consegue entender? Não é fácil fazer amizade, e é difícil ter amigos, apesar da quantidade de pessoas que a gente conhece ao longo do caminho. É gente que chega é gente que vai. Tem os que ficam e os que permanecem, entendeu? Juntar gente não é tão difícil, mas… O tempo passou e os amigos ainda são a vitaminas da minha da alma, o sangue que se alimenta das veias, que mais parecem estradas que levam ao coração. Muita coisa mudou. Mudei também. Estou mais esperto, mais arisco, mais seletivo, mais burro e mais emotivo. Cada porrada que levo, eu digo: “esta é a última!”, e logo estou lá de novo, com a cara pra bater. E quando penso que estou melhorando como pessoa, vou lá e dou mancada também. Roda viva desse sentimento maluco, a amizade. Nem sempre pára no lugar certo. Nos meus primeiros passos de poeta era comum sentir o apoio das pessoas, coisas do tipo:”Aí, de dou a maior força, se precisar de mim…”, pior que eu sempre estava precisando e nas maiorias das vezes quase ninguém percebia, ou fingia que não. Mas que se dane, ninguém tem nada a ver com as minhas escolhas e com os meus caminhos. Uma das coisas que eu sempre soube é onde queria chegar, não quando, mas como. E eis me aqui colocando o polegar na história… Será? A Vida é irônica. E de boba não tem nada, nós que às vezes pagamos de vítima, assim como eu estou fazendo agora. Já fui ajudado por muitos estranhos e esquecidos por muitos amigos(?). Em alguns lugares era bem-vindo, em outros roubava a brisa. Para uns dava sorte, para outros, era zica. Vai vendo o dilema. Sair de casa não era muito fácil. Chegar em casa era mais difícil ainda. Amizade para mim sempre foi tudo. Sou do tempo de ficar de mal, não de fazer o mal. Hoje parece que é comum para algumas pessoas que estão ao nosso lado nos abraçarem com uma mão, e com a outra, apunhalar-nos com a adaga triste da covardia. Sei não, tem algo no meu coração que ele não quer falar pra mim. Acho que é bom eu nem ficar sabendo, já tenho amigos de menos. Mas não é o caso de colocar uma placa no peito: Procura-se amigos. Amigos não se encontram em portas de imobiliárias ou prateleiras de supermercado. Não são pedaços de carnes -de primeira ou de segunda-, suspensas no açougue, e nem são miudezas de armarinhos, coisas que estão expostas nas vitrines. Amigos, os verdadeiros, não se podem contá-los, contam-se com eles, ou não. Quantidade? Qualidade? Ás vezes quem soma só subtrai. Amigos não têm remédios para as nossas dores, eles são o pronto-socorro, e pronto! Essa gente, que chamamos de amigos, fica bêbada com a gente, sem se quer colocar uma gota de cerveja na boca. Mentira. Um amigo não te deixa beber sozinho. Nunca. Rir com um amigo, conhece uma religião melhor? O brilho desse olhar é a igreja mais linda que existe. Uma piada, um poema, juntas, mais parece uma oração. Amigos, Ô glória! Amigos não são aqueles a quem você pede perdão, mas aqueles que a gente perdoa, sempre. Os que nos abandonam não são nossos amigos, amigos não abandonam, só não estão presente, nem futuro, e dai? Os momentos, amigos… se liguem nos momentos… O passado passa. Amigos não são como quinquilharias que se podem comprar e pendurar na parede para que a poeira se encarregue do esquecimento. Tem gente que coleciona amigos como quem coleciona chaveirinhos. Já perdi muitos amigos, e muitos estavam vivos quando se foram. Uns, se foram bem diante dos meus olhos, a poucos metros de minhas mãos. Não conheço a eternidade, por isso preferia que eles estivessem ao meu lado. Deus me paga. Vou aproveitar os que estão à minha volta, vai que não tem céu, e se a gente não se encontra mais? Como se descobre um amigo? Não se descobre um amigo, se cobre os amigos. De ouro, de prata e de abraços. Se quer ter amigos, seja, eles virão.

*do livro “Literatura, pão e poesia” Global Editora

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3 pensamentos sobre “Pode Crer, Amizade!

  1. além da conhecida dieta mediterranea para ter vida saudavel, os velhos no brasil (com mais de 100 anos) tem em comum uma pratica bastante saudavel: ter e cultivar amigos. esta parece ser uma boa, saborosa e divertida dieta !!!

  2. Como já temos a dieta, que façamos um brinde as amizades que cultivamos, as que deixamos ir, e aquelas que simplesmente encontramos!!

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