Pode Crer, Amizade! – Sérgio Vaz

da net: http://www.facebook.com/poetasergio.vaz2/posts/461084327304323

PODE CRER, AMIZADE! – Sérgio Vaz

A Amizade sempre foi e é um dos combustíveis da minha vida. Como poeta então… é quase impossível caminhar sem eles, os amigos. Sempre fui um cara de gangue, de turma, de galera, de patota, enfim, sempre rodeado de gente. Não que todos fossem meus amigos e que eu fosse amigo deles, mas o coletivo era o que imperava, e impera até hoje. Quem é, sabe do que estou falando.
Muitos anos se passaram e são poucos que sobreviveram ao tempo, para minha tristeza e para minha alegria. Coração de poeta é terra que ninguém pisa, quem consegue entender? Não é fácil fazer amizade, e é difícil ter amigos, apesar da quantidade de pessoas que a gente conhece ao longo do caminho. É gente que chega é gente que vai. Tem os que ficam e os que permanecem, entendeu? Juntar gente não é tão difícil, mas…
O tempo passou e os amigos ainda são a vitaminas da minha da alma, o sangue que se alimenta das veias, que mais parecem estradas que levam ao coração. Muita coisa mudou. Mudei também. Estou mais esperto, mais arisco, mais seletivo, mais burro e mais emotivo.
Cada porrada que levo, eu digo: “esta é a última!”, e logo estou lá de novo, com a cara pra bater. E quando penso que estou melhorando como pessoa, vou lá e dou mancada também. Roda viva desse sentimento maluco, a amizade. Nem sempre pára no lugar certo.
Nos meus primeiros passos de poeta era comum sentir o apoio das pessoas, coisas do tipo:”Aí, de dou a maior força, se precisar de mim…”, pior que eu sempre estava precisando e nas maiorias das vezes quase ninguém percebia, ou fingia que não. Mas que se dane, ninguém tem nada a ver com as minhas escolhas e com os meus caminhos. Uma das coisas que eu sempre soube é onde queria chegar, não quando, mas como. E eis me aqui colocando o polegar na história… Será?
A Vida é irônica. E de boba não tem nada, nós que às vezes pagamos de vítima, assim como eu estou fazendo agora. Já fui ajudado por muitos estranhos e esquecidos por muitos amigos(?).
Em alguns lugares era bem-vindo, em outros roubava a brisa. Para uns dava sorte, para outros, era zica. Vai vendo o dilema. Sair de casa não era muito fácil. Chegar em casa era mais difícil ainda.
Amizade para mim sempre foi tudo. Sou do tempo de ficar de mal, não de fazer o mal.
Hoje parece que é comum para algumas pessoas que estão ao nosso lado nos abraçarem com uma mão, e com a outra, apunhalar-nos com a adaga triste da covardia.
Sei não, tem algo no meu coração que ele não quer falar pra mim. Acho que é bom eu nem ficar sabendo, já tenho amigos de menos.
Mas não é o caso de colocar uma placa no peito: Procura-se amigos.
Amigos não se encontram em portas de imobiliárias ou prateleiras de supermercado.
Não são pedaços de carnes -de primeira ou de segunda-, suspensas no açougue, e nem são miudezas de armarinhos, coisas que estão expostas nas vitrines.
Amigos, os verdadeiros, não se podem contá-los, contam-se com eles, ou não. Quantidade? Qualidade? Ás vezes quem soma só subtrai.
Amigos não têm remédios para as nossas dores, eles são o pronto-socorro, e pronto!
Essa gente, que chamamos de amigos, fica bêbada com a gente, sem se quer colocar uma gota de cerveja na boca. Mentira. Um amigo não te deixa beber sozinho. Nunca.
Rir com um amigo, conhece uma religião melhor? O brilho desse olhar é a igreja mais linda que existe. Uma piada, um poema, juntas, mais parece uma oração. Amigos, Ô glória!
Amigos não são aqueles a quem você pede perdão, mas aqueles que a gente perdoa, sempre.
Os que nos abandonam não são nossos amigos, amigos não abandonam, só não estão presente, nem futuro, e dai? Os momentos, amigos… se liguem nos momentos… O passado passa.
Amigos não são como quinquilharias que se podem comprar e pendurar na parede para que a poeira se encarregue do esquecimento. Tem gente que coleciona amigos como quem coleciona chaveirinhos.
Já perdi muitos amigos, e muitos estavam vivos quando se foram. Uns, se foram bem diante dos meus olhos, a poucos metros de minhas mãos. Não conheço a eternidade, por isso preferia que eles estivessem ao meu lado. Deus me paga.
Vou aproveitar os que estão à minha volta, vai que não tem céu, e se a gente não se encontra mais?
Como se descobre um amigo? Não se descobre um amigo, se cobre os amigos. De ouro, de prata e de abraços.
Se quer ter amigos, seja, eles virão.

*do livro “Literatura, pão e poesia” Global Editora

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4 pensamentos sobre “Pode Crer, Amizade! – Sérgio Vaz

  1. pesquisa da unifesp com velhos (mais de 100 anos) brasileiros apontou que eles tinham em comum algumas caracteristicas, uma delas é ter muitos amigos, com isso podemos dizer adeus as dietas. Viva uma boa leitoa assada com os amigos pra celebrar a vida!!!!!

  2. amigo pode morar até na floresta que parece que está no quintal da gente quando a gente precisa, ou mesmo quando não precisa. O amigo leva a leitoa e eu levo o vinho.

  3. gostei do texto 🙂

    para mim, apesar das diversas reflexões que já me ocorreram, é difícil dizer o que define e mantém as minhas amizades (aquelas do tipo irmãos)… a única conclusão é de que muitas vezes transcende a explicações racionais… geralmente eu as reconheço quando sem muito esforço me devolvem, me devolvem a minha essência ‘ficando bêbadas comigo, sem se quer colocar uma gota de cerveja na boca’ e eu vejo isso como sendo algo sublime…

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