O Inferno de Dante – Maria Zélia Alvarenga

da net: http://www.boitata.org/o-inferno-de-dante/

“O Inferno de Dante”

Unitermos: Divina Comédia, Dante Alighieri, leitura simbólica, trilogia, quatérnio, processo de individuação.

1. Introdução:

Este pequeno ensaio pretende ser uma viagem pelo Inferno simbólico de Dante, correlacionando dados do texto com propósitos junguianos de compreensão da psique, bem como entender o poema como expressão de um processo visionário e de revelação da criatura em busca do criador.

Ao lermos “A Comédia”, Divina por excelência, a par de nos deleitarmos com a maestria da obra, não há como deixar de pensá-la como símbolo. Tão logo adentramos o portal do imaginário criado por Dante, tanto quanto ele, sonhamos compor o cenário, caminhando pela selva escura do inconsciente; se como ele nos sentirmos perdidos, teremos simbolicamente a ajuda de preceptores psicopompos que nos reconduzirão ao processo de resgate de nós mesmos, quando no meio do caminho da vida.

O fascínio que a obra causa tem a ver, por certo,  com  a genialidade do escritor que tão sabiamente foi capaz trazer à luz obra admirável. O fascínio vem então pelo enredo que se faz e se tece alimentado por forças criativas de estruturas arquetípicas, traduzindo-se assim como parábolas e metáforas de um processo alquímico imprescindível à transformação necessária para a grande coniunctio  do encontro consigo mesmo.

A leitura simbólica da Comédia de Dante configura metáfora significativa que traduz a possibilidade de sair da selva escura da sombra na qual a alma se sente perdida, resgatando-a de pecados que até então configuravam condenações eternas.

Personagens e imagens carregadas de matéria eterna vão povoando o texto, num crescente de emoções que possuem o autor e o leitor, que transmutando-se em co-autor, caminha junto com Dante como um duplo dele, fazendo dele um duplo seu. E guiados por Virgilio passam a compor o quadro, sem se darem conta  da ousadia do desejo.

Creio que  as obras primas são assim, compostas de matéria eterna, escritas com a atemporalidade do divino, traduzindo o sempre presente do símbolo que não se esgota. Cada verso, cada canto retratam imagens, mistérios, desafios e medos, tibieza e coragem, recatos e descomedimentos  de uma alma em busca de si mesmo, de um sentido para a vida, em busca de seu criador…

2. Histórico

         Dante, ao iniciar sua viagem simbólica pelas entranhas do Inferno, remontou o tempo da ocorrência do fenômeno para o ano de 1300, primeiro Ano Santo comemorado pela Igreja Católica, quando então o “papa Bonifácio VII determinou que o primeiro ano do novo século fosse considerado jubilar, concedendo pois indulgências dos pecados a todos os peregrinos que fossem rezar em Roma”[2].

Considera-se entretanto que, do ponto de vista histórico, “A Divina Comédia” foi escrita entre 1307 e 1321, terminada portanto no ano da morte de Dante. O ano de 1300, usado por Dante como tempo de sua viagem para o mundo de além vida, representou, concreta e simbolicamente, a  expressão de mudanças da própria vida do poeta, mudanças de paradigmas do coletivo,  mudanças dos tempos da Itália. Nesse tempo simbólico, localizado num tempo real, Dante contava 35 anos, em plena metade de sua vida quando “conheceu” o Inferno.

A “Comédia” surge como obra no final de seus dias na Terra e, ao longo dos anos, passará a ser qualificada como o melhor retrato da humanidade, a maior síntese do conhecimento medieval, a poesia mais sublime, a fundamentação lingüística do idioma italiano, e também representa elemento fundamental que marca a emergência do Renascimento. Apesar dessa grandiosidade, em 1373 cidadãos de Florença requereram a censura da obra por entendê-la muito agressiva à imagem da cidade. Giovanni Boccaccio foi o escolhido para o  intento. Mas, eis que ao ler o poema, Boccaccio faz-se ardoroso intérprete e divulgador da obra, qualificando-a de “Divina”. Somente em 1555, quando a primeira edição veneziana for impressa aparecerá com esse título e assim será conhecida para sempre: “A Divina Comédia”[3]

O genial Dante, imortal cantor de Beatriz, estilizou sua epopéia numa nova espécie de gênero literário, por ele criado: o terceto ou terza rima[4]. A obra é uma trilogia e, por tantas imagens e referências trinas constitui-se como  uma apologia á trindade, senão vejamos:

  • três são os livros que a compõe: Inferno, Purgatório e Paraíso;
  • três feras interceptam a passagem de Dante para o Purgatório, conduzindo-o, necessariamente para o Inferno: a pantera, o leão e a loba.
  • Três são os grandes erros do ser humano: inveja, arrogância (orgulho) e abuso do poder.
  • três criaturas femininas, imagens simbólicas da anima, se ocupam com o destino do poeta protegendo-o das vicissitudes da heróica viagem: a Virgem Maria, Santa Luzia e a Divina Beatriz;
  • três preceptores conduzem Dante em sua vigem ao mundo além vida: Virgílio, São Bernardo e Beatriz;

e tantas outras representações trinas que desnecessário se faz enumerá-las.

Dante foi precocemente ferido em sua alma, seja pela perda da mãe quando criança, pela perda do pai quando contava 18 anos e a morte de Beatriz em 1290, quando contava 25 anos.

3. Beatriz

Beatriz, ânima amada do poeta florentino, emerge como símbolo  complementar ativo do processo de busca de si mesmo;  através dela (Beatriz – anima) Dante conseguirá reencontrar-se e, reintegrado ao seu princípio universal, fazer-se uno consigo mesmo.

Conta-nos Marques Rabelo[5] que, somente depois de nove anos após conhecer Beatriz, Dante ouviu pela primeira vez a voz da amada, num passeio em que ela, ao reconhecê-lo, virou-se e saudou-o gentilmente. Dante ficou parado, como que pregado ao lugar de  tão maravilhoso encontro. Alguns dias após, Dante adoeceu e um terrível pensamento o assaltou: “Beatriz vai morrer”. O pensamento-pressentimento tornou-se uma idéia fixa até que um dia, ainda doente,  teve  uma triste visão onírica: mulheres chorando desfilavam diante de seus olhos; nuvens encobriam o Sol, estrelas apagavam suas luzes, pássaros caíam ao solo sem alçar vôo. A Terra sucumbia sob terrível tempestade. Um homem ao lado do seu leito murmura: – “Não sabes o que ocorreu? Morreu a tua bela amada.”  Dante caiu em prantos e, voltando os olhos para o céu, percebeu multidão de anjos voando, agitando asas, e diante deles uma nuvem de extraordinário alvor. Dante compreendeu, mesmo em sonhos,  que a nuvem era a alma de  Beatriz, que os anjos conduziam aos céus. O homem, ao seu lado, lhe disse: – “Veja tua amada!”    E Dante viu o cadáver de Beatriz, rodeado pelas  amigas que cobriam-lhe o rosto com um véu branco. Despertado do sonho perguntaram-lhe as razões de sua grande tristeza. Dante contou-lhes que vira a alma de Beatriz subindo ao Céu e, na Terra, seu lindo corpo jazia sem vida. Tentaram acalmá-lo afirmando que tudo era um cruel pesadelo. Porém, a visão que tivera em sonho não o abandonava;  a  recordação dela fazia-o escrever poemas de amor à amada. Certo dia, quando escrevia recebeu a notícia que Beatriz morrera. O golpe foi extremamente rude. Dante caiu em desespero. Florença pareceu-lhe deserta, completamente deserta. Morrera Beatriz! Dante teve um segundo sonho: via novamente a jovem, vivendo no Paraíso, no meio dos anjos, mais linda e cheia de alegria do que o fora em vida. Despertou, então, com uma sensação de bem-estar: havia contemplado a amada e tinha a certeza de que ela também o vira e poderia ampará-lo nos difíceis caminhos da vida. Tomou a decisão de escrever um livro relatando o sonho. Seria um poema dedicado à sua adorada Beatriz que vivia no Céu.

Esta seria uma das interpretações do porque escreveu “A Comédia“. O próprio Dante contribuiu, entretanto, para teorias e especulações acerca do porque ter escrito uma vez que, segundo Hernani Donato, (em seu texto introdutório à tradução da Divina Comedia (1981- pg XI) “numa carta (enviada) ao senhor de Verona (Epístola, XIII, VII-20-22) (Dante) afirmou que a “Comédia” deveria ser entendida de mais de um modo, pois dera-lhe quatro sentidos superpostos: o literal ou histórico;  o moral, o figurado ou alegórico e o anagógico ou místico”[6].

4. O poema- leitura simbólica

Se houve uma deliberação consciente de Dante na criação  de seu épico apresentando-o não só como dedicado à Beatriz mas como uma tentativa de unificação de sua amada Itália, ou como uma denúncia moral dos tempos e condutas corruptas de governantes e clero, inegavelmente como ele mesmo propôs, a “Comédia”, em seu sentido místico. configura tradução de seu entendimento anagógico de como poderia elevar e purificar sua alma. O poema é também uma forma de louvor ao Criador e à Trindade. Entretanto, por mais trino que o poema seja em sua estrutura, o quatérnio emerge por toda a obra, configurando dessa forma simbolicamente um hino ao seu próprio processo de individuação. Muitos são os exemplos e enumeraremos alguns que nos pareceram ilustrativos:

  • A Virgem Maria, presente no Céu de Dante, compõe um quatérnio com a Divina Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo;
  • Dante compõe um quatérnio com os três femininos a ele devotados: Maria, Sta. Luzia e Beatriz;
  • Beatriz  e os três masculinos que a reverenciam: Dante, Virgílio e Catão configuram novo exemplo;
  • Dante e seus três condutores psicopompos: Virgílio, São Bernardo e Beatriz, formam o quatro:

e tantos são os exemplos que citá-los mais seria sair da medida.

5. O Processo.

Dante se auto-retratou em plena metanóia, adentrando o Inferno da alma num processo de desafio e confronto com a sombra, processo esse viável de ser realizado tão somente quando o herói pontifica. Mas, que herói é esse que pontificou na vida de Dante?

A mítica greco-romana, tão conhecida do poeta, elenca os poucos heróis que alcançaram a região dos ínferos e de lá conseguiram retornar, por intercessão do divino: o ousado Teseu que tentou raptar a rainha Perséfone;   Héracles e Psiquê que lá estiveram cumprindo tarefas míticas de seus processos de individuação; Orfeu em busca do resgate da alma de Eurídice com o intuito de trazê-la de volta à vida; Ulisses consultando Tirésias para obter respostas sobre como encontrar seu próprio caminho; Enéias que desceu aos ínferos acompanhado de Sibila de Cumas[7], sacerdotisa de Apolo, para obter os conselhos e proteção de seu  pai Anquises para nortear seu futuro, ou como Paulo de Tarso[8], para purgar suas mazelas, quando de sua conversão cristianismo.

Servindo-se do motivo mítico-simbólico, Dante fez sua catábase iniciática ao reino dos ínferos como herói arquetípico, coagulando em si todos os motivos dos míticos heróis greco-romanos, como que invocando a força e a ousadia de todos  eles. Como Orfeu buscou o resgate de sua amada-ânima Beatriz; como Ulisses buscou respostas sobre como encontrar seu próprio caminho; como Enéias buscou a orientação de um pai espiritual, depositando na figura de Virgílio, seu mentor, psicopompo, e o fez modelo para sua arte. Como o mestre ele também anunciou um tempo novo de como ser cristão, de como recuperar a inteireza simbolizada no cálice sagrado, e denunciou a corrupção da Igreja sem comprometer seu modelo de crença, a par de ter lançado as bases da unificação de seu país. Em sua obra “Monarquia” pregou a divisão do poder para diminuir a possibilidade dos desmandos e abuso de poder, sugerindo que ao papa caberia o poder espiritual e ao monarca o poder temporal.[9]

Além de Virgílio, pai espiritual e mentor de seu processo intelectual e racional de busca de verdade, Dante elegeu como   mentor – psicopompo de sua ascensão ao Paraíso o insigne São Bernardo.  Bernardo[10] é considerado criador do primeiro Estado Europeu – Portugal ou Porto Calis (o porto do Cálice) ou Porto do Graal. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal era primo de Bernardo. A par disso, os estatutos da Ordem dos templários foi escrito por Bernardo; Dante era tido com um templário. Dessa forma podemos entender a presença do Santo como seu mentor espiritual na consecução de sua maior tarefa: seu encontro com o cálice, com o vaso da sabedoria, que configura a maior aventura espiritual, que demanda exigência de interioridade, humildade, contrição. Para conseguir seu intento, entretanto, precisou antes passar por sua catábase iniciática.

O Inferno entendido como alegoria do destino dos eternamente condenados, segundo a crença cristã, transforma-se com Dante em expressão anagógica de seu processo iniciático, constituindo-se em mortificatio imprescindível à transformação requerida.

Ao realizar sua catábase iniciática, Dante inovou de muitas formas, senão vejamos:

  • O poeta colocou-se de partida como personagem da própria história, perdido numa selva escura, anunciando explicitamente sua entrada ao reino do inconsciente;
  • fez-se acompanhar por três mentores psicopompos: Virgílio, São Bernardo e Beatriz.
  • elegeu uma trindade feminina tutelar protetora de sua viagem infernal: a própria Virgem Maria (somente uma Grande Mãe poderia acolher sua orfandade), Santa Luzia (que o salvou da cegueira literal quando criança, protegendo-o e livrando-o de sua cegueira existencial) e sua amada Beatriz (ânima e Sofia de seu processo de individuação), que estaria aguardando-o na entrada do Paraíso, compondo com Dante a coniunctio simbólica.

A eleição da trindade feminina tutelar de Dante confere uma condição sui generis ao seu processo iniciático pois que, apesar de sua condição heróica, é a anima que o resgata. Dante se salva pelas mãos do feminino e realiza o encontro mítico com o Vaso Sagrado da Sabedoria, num processo alquímico de solutio, entregando-se plenamente à anima, dissolvendo-se nela, deixando de ser Eu para tornar-se Uno no Self. Dessa forma há como entender que tenha morrido tão logo terminou sua obra.

6. Os primeiros versos

“A meia idade da terrena vida

           perdido achei-me numa selva escura

           a rota estando já perdida

                            Quanto, dizer qual era, é coisa dura,

                            Esta selva selvagem rude e forte,

                            Que medo infunde á mente mais segura

         Acre é tanto que pouco mais  é morte

         Porém das outras coisas falarei

         E o bem direi que nela achei por sorte.

                            Ignoro como na floresta entrei:

                            Com tanto sono estava em meu roteiro

                            Que o rumo certo e reto abandonei.[11]

A leitura simbólica do poema nos remete, já nos primeiros versos, a um entendimento de que Dante encetou uma viagem pelo reino do inconsciente (a selva escura) tecendo considerações acerca de como se encontrava na vida: perdido numa selva escura, perdido da própria rota. Retrata também seu sentimento de medo diante desse desconhecido, constatando que a tarefa heróica auto imposta é “coisa dura e medo infunde à mente mais segura[12]. Dante confessa-se sonolento em seu roteiro, quando o rumo certo abandonou.

Podemos pensar que Dante inaugurou o processo de imaginação ativa, trazendo luz não só  à descrição de seu processo visionário como trouxe, entre outros, relatos sobre o fenômeno da enantiodromia quando descreveu sua passagem do último nível do Inferno, conseguindo emergir no sopé da montanha do Purgatório, ou seja, do lado oposto no mundo do além; saiu de uma polaridade para emergir  na oposta. Trouxe também uma representação do Inferno povoada de alegorias alquímicas, revelando um processo de elaboração estruturante que adentra o mais profundo mortificatio, tendo antes passado pelosolutiocalcinatio e separatio, transmutando-se num sublimatio que o conduz aoconiunctio final[13].

Retomando o texto poético, Dante vislumbra o sol brilhando sobre a colina e esperançoso se dirigiu  para a luz, sendo imediatamente barrado por três feras. Desejara, em seu imaginário, subir a colina do Purgatório mas foi impedido. Tão logo se encaminhou para a colina surgiu a pantera; Dante recuou e o leão apareceu e por fim veio a loba plena de cobiça com sua torpe magreza[14].

Os valores simbólicos que o próprio Dante depositou nas feras traduzem sinais confessionais do por que, do como e do quando perdeu-se de si mesmo.

A luxúria, representada pela pantera, foi talvez seu primeiro grande pecado-redenção uma vez que ele mesmo assim se confessou. Seu segundo pecado-redenção foi o orgulho, simbolizado no leão; somente uma intuição profunda de seu próprio valor o faria eleger  como mestre psicopompo o grande Virgílio, condutor de almas na redenção do encontro consigo mesmo.

Foi com orgulho que se descobriu, ou se elegeu a si mesmo, a imagem e semelhança de Hermes, como o sexto grande escritor da humanidade, grupo esse que Dante identificou nas figuras  de Homero, Horácio, Ovídio, Lucano, o próprio Virgílio e, fechando o grupo, concede a si mesmo a honra de ser o sexto componente.

Apesar de denominar seu poema de “Comédia”, ou seja, um estilo  de relato sob medida  de um processo fabulado, “cômico, adotado para tratar de assuntos em que ao sublime se combinasse o trivial, o religioso ao profano, enfim a contradição que é  o homem governado por sentimentos e paixões”[15], Dante se dizia sem competência para criar um grande épico; mas, mesmo assim, fez-se par  dos grandes mestres.

Seu terceiro pecado-redenção, representado pela decadência e corrupção da alma, veio expresso pela loba esquálida que determinou de vez que seu caminho necessariamente passaria pelo inferno. A loba não poderia deixar de ser vista como expressão simbólica de todos os demais pecados da incontinência, violência, das simples fraudes e, do maior de todos, o pecado da traição, a traição encetada contra a própria alma. A traição maior de sua vida foi à anima, sendo que através dessa vivência somente irá se redimir, escrevendo o poema máximo da humanidade.

O homem governado por paixões e sentimentos é o próprio Dante, que apesar de escrever um poema épico à anima o desqualificou com o nome de Comédia. Quando, porém, no pleno apogeu de sua vida viu-se atingido, injuriado, ofendido, desterrado, excluído, completamente desvalido; certamente amargou seus dias de exílio, e foi levado a refletir: onde foi que ele próprio se traiu?

Quando Dante sonhou Beatriz morta, talvez tenha matado nele a possibilidade de desejá-la como Paolo desejou Francesca[16] ou como Lancelot desejou Guenívere, bem como Abelardo desejou Heloisa.

Dante, com sua moralidade cultural, própria de seu tempo mas não de sua genialidade, colocou os amantes no inferno, no mesmo inferno em que se debateu por décadas, condenado que se sentia pela traição cometida à anima. Condenando Beatriz à morte, talvez tenha desejado o poder, a glória política, sendo traído pela cegueira do mundo corrupto no qual vivia e que tanto denunciou. Obrigado a abdicar do poder retomou, como Édipo, a busca de se saber, de resgatar sua ânima e reencontrar-se consigo mesmo. ( FIM)

7. Resumo.

A autora faz leitura simbólica de “A Divina Comédia” de  Dante como expressão de metáfora de seu processo de individuação que se inicia pela catábase iniciática ao reino dos ínferos.

8. Abstracts. The author does a symbolic lecture of Dante’s Divine Comedy as metaphoric expression of his individuation process that begin on iniciatic catabasis to that infernal reign

9. Bibliografia:

  1. Alighieri, Dante (1984) “A Divina Comédia”- 2V, traduzida por Cristiano Martins Ed. Itatiaia, Belo Horizonte.
  2. Alighieri, Dante (1953) “A Divina Comédia” – traduzida por Prof. João Ziller- Belo Horizonte.
  3. Alighieri, Dante (2000) “A Divina Comédia” – 3V- traduzida por Ítalo Eugenio Mauro, Ed 34Ltda, São Paulo
  4. Alighieri, Dante (1981) “A Divina Comédia” – 1V- traduzida por Hernani Donato, Ed Abril, São Paulo
  5. Alighieri, Dante (2002) “ A Divina Comédia”- traduzida e adaptação de Cecília Casas, Ed Scipione, São Paulo
  6. Pacheco, Claudia Bernhardt de Souza, (2000) “História Secreta do Brasil”,  ed. Próton, São Paulo.
  7. Rocha, Helder: A Divina Comédia, in  http://www.ibpinet.net/helder/dante/
  8. Virgílio (1983)- “Eneida” – tradução de Tassilo Orpheu Spalding  Ed Abril – São Paulo

.

 


[1] Médica, psiquiatra, analista junguiana ( SBPA, IAAP)

[2] D´Onofrio, Salvatore  “Literatura Ocidental.Autores e Obras fundamentais” citado por Cecília Casas ( 2002) in A Divina Comédia, tradução e adaptação ed Scipione, São Paulo

[3] Hernani Donato in  prefácio a “ A Divina Comedia” , pg XIII ed. Abril, 1981

[5] Rabelo, Marques: introdução a “A Divina Comédia” de Dante Alighieri, Tradução de Xavier Pinheiro Ediouro SP 1956

 

[6]. Hernani Donato in  prefácio a “ A Divina Comedia” , pg XI ed. Abril, 1981

[7]. Virgílio, Eneida, pg130. Ed Abril

[8]. Divina Comedia- Canto II

[9]. Pacheco, C.B.de Souza, ( 2000) “ História Secreta do Brasil” pg 147, ed. Próton-São Paulo

[10] Pacheco, C.B.de Souza, ( 2000) “ História Secreta do Brasil” pg 271, ed. Próton-São Paulo

 

[11]. Alighieri, Dante: A Divina Comédia –traduzida  do original e  anotada pelo pro. João Ziller 1953, Belo Horizonte

[12]. Idem nota 9, Divina Comédia- canto I

[13]. Alighieri, Dante: A Divina Comédia –traduzida  do original e  anotada pelo pro. João Ziller 1953, Belo Horizonte .

[14] Divina Comédia- canto I

[15]. Hernani Donato in  prefácio a “A Divina Comedia” , pg XIII ed. Abril, 1981

[16] Divina Comedia, canto V

Maria Zelia De Alvarenga[1]

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Um pensamento sobre “O Inferno de Dante – Maria Zélia Alvarenga

  1. “A meia idade da terrena vida, perdido achei-me numa selva escura,a rota estando já perdida.”
    Esta parece ser uma das frases da literatura mundial mais importantes e emblemáticas, daí decorrem todas as nossas filosofias e nossos medos

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