Um Olhar “Animado” Sobre a Amizade: A Trilogia – A Era do Gelo – Nilson Santos e Elisabete Christofoletti

UM OLHAR “ANIMADO” SOBRE A AMIZADE: A TRILOGIA – A ERA DO GELO

 

 

Nilson Santos

Professor – Universidade Federal de Rondônia – Brasil

nilsonsantos@yahoo.com.br

Elisabete Christofoletti

Psicóloga – SBPA – GPA-PVH – Brasil

Elisabete.christofoletti@gmail.com

– Por que você fez isso? Podia ter morrido, tentando me salvar.

– É isso que se faz em bando. Um cuida do outro.

– Bem… obrigado.

– Não sei o que vocês acham, mas somos o bando mais estranho que eu já vi.

Diego, Manny e Sid

 

 

O tema proposto – A Amizade – nos remeteu a um sentimento de alegria, evocando a criança, traduzida nas imagens da trilogia “A Era do Gelo”, animação dirigida por C. Wedge e C. Saldanha.

O bando com o qual trabalharemos é constituído por um mamute (Manfred – Manny – que acredita ser o único da sua espécie, por isso decide não migrar com os outros animais), uma preguiça (Sid – foi abandonado pelo seu bando durante o período da migração) e um Tigre Dente de Sabre (Diego – que tem a incumbência de encontrar e entregar ao chefe do seu bando um bebe humano), em torno deles os demais personagens se agregam e as histórias se desenrolam. Configuram-se como belo exemplo de fraternidade, confiança, unem-se no reconhecimento das diferenças entre si.

Olhando para este bando, encontramos várias formas de relação, mas duas nos chama mais a atenção: uma representada por características apolíneas, manifesta por Manny que se posiciona como guia do bando, movido por uma estrutura de pensamento racional; e outra dionisíaca, representada por Sid, que no abandono sofrido, na ausência do cuidado no bando de origem, busca recursos para unificar a si e os outros com grande poder de transformação.

Manny, carregando esta regência apolínea (ALVARENGA, 2007) assume a função de protetor do seu bando, com serenidade, conquista a sabedoria que coloca a serviço, porém tem dificuldades para incorporar estes outros, como relatado na mítica sobre Apolo. Controla o êxtase que está nele, mas como representante de um pensamento com estrutura racional, faz com que a lei do pai seja cumprida, mesmo que ele próprio seja dado em sacrifício. Busca a solidão e reflexão, tendo dificuldades em ser cuidado, pois, não é esse o referencial de relação primária que viveu. Ainda como um adulto imaturo, filho das leis do pai, sacrifica o individual em prol do coletivo. (BRANDÃO, 1987)

Vemos no personagem de Manny ao desenrolar da trilogia, estas características, o que quase lhe custa a possibilidade de encontrar e investir seja em Amigos ou em uma Companheira. Altamente defensivo (por medo) dos afetos, da vinculação que exige entrega e risco, busca inicialmente a solidão.

Sid, representante da vivência dionisíaca (ALVARENGA 2007), assim como Manny, foi apartado de sua família, por abandono. Um personagem com uma vida repleta de histórias e situações de desmembramentos, mas desenvolve grande resiliência nas relações e possibilidades que lhe surgem. Hesíodo (BRANDAO, 1987) considera Dionísio como o deus que distribui alegria abundantemente e que inclui a todos – o deus da inclusão, que não resiste a mudanças. Cremos que também a Vida, a partir do momento em que precisa renascer a cada vivência de morte, e como bem cabe aos que morrem, sempre re-nascemos, re-existimos, com novas possibilidades a partir dos próprios recursos.

O personagem de Sid unifica incessantemente o bando, sem se preocupar com as leis humanas (ou animais). O desejo, a necessidade e demanda interna é prioritária e única. A entrega que faz, solicita o reconhecimento de seus desejos e a entrega ao bando. É assim que enfrenta seu medo, neste caso pode ser o mesmo que Manny: a solidão.

Ambos estão comprometidos, mas por caminhos inicialmente diferentes. Sid reconhece o desejo e não se esquiva, vai ao seu encontro; Manny se defende e nesta defesa, inicialmente não reconhece seu desejo, no entanto são unidos pelo compromisso com a Vida.

 

O Chamado

 

Sid acaba de ser salvo por Manny, com quem segue caminhando mesmo que a contra-gosto do novo companheiro.

Na beira do lago, Manny vê um bebe. Fica paralisado. Olha nos olhos da mãe que entrega a criança e desaparece na água.

 

Sid – Manny, Manny, não esta esquecendo de nada.

Manny – Não.

Sid – Mas você acabou de salvá-lo.

Manny – Ainda estou tentando me livrar do ultimo que salvei.

Sid – Não pode deixar ele aqui… olha é fumaça, e o bando dele deve estar lá em cima

Manny – Olha, vamos deixar uma coisa bem claro. Não existe nós, nunca teve nenhum nós, na verdade sem mim não haveria nenhum você.

Sid – É só subir o morro.

Manny – Veja bem, eu estou fora.

Sid – Esta bem seu egoísta. Eu vou cuidar dele.

Manny – Ah, essa que quero ver, não consegue nem cuidar de você, essa quero ver.

E seguem os dois com o bebe, Manny seguindo Sid.

 

Sid, a preguiça, ocupa o papel de constante provocador para agregar. Através da maneira que se expõe, releva os desagravos recebidos, em alguns momentos, de forma espontânea, aparentemente ingênuo ou inconsequente, como se não percebesse o que lhe é dito, feito. Sua forma de expressar, não valoriza o feito, mas sim, a necessidade de estar junto, a capacidade de tolerância, e de convivência, provoca a emergência de seus sentimentos. Sid tem consciência que precisa da relação com o outro.

Esta forma de conviver com o outro, poderia ser tida como imatura, mas vejamos o que Jung fala a respeito:

Mas a consciência grupal em que os indivíduos são totalmente intercambiáveis não é o grau mais baixo da consciência, pois já apresenta certa diferenciação. No primitivismo mais baixo temos uma espécie de consciência global, com inconsciência total do sujeito. Neste grau só existem acontecimentos, mas não pessoas que agem. (JUNG 1993 § 281)

Podemos aventar a possibilidade de Sid, ser um personagem mais intuitivo, aparentemente com dificuldades de conectar-se consigo próprio e por isso precisa tanto do bando. Ao mesmo tempo, faz mergulhos profundos em sua interioridade, sem aparentar deprimir por isso, movimenta-se sempre buscando atender sua demanda interna. Seu olhar aponta para alguém que sabe o que é rejeição, abandono, mas não tem escolha de ser diferente, não foge de si, é o que é, enfrenta seus medos.

Em uma das primeiras cenas da primeira película, temos Sid acordando e percebendo que seu bando de origem o a-bandonou enquanto migraram para se esquivarem no inverno, aventa a possibilidade de não gostarem dele, relata episódios de anos anteriores onde também foi deixado para traz. Sid retoma estas lembranças em diferentes momentos da trilogia, como por exemplo quando Manny e Ellen terão um bebe mamute, Diego sentindo-se só e velho decide ir embora e Sid tenta ser mãe de três ovos de dinossauro. Esta ferida, do abandono, permanece aberta durante todo o transcurso da trilogia.

Este aspecto intuitivo de Sid é importante na formação do bando, porque tem percepções como se fosse um susto! Tem a capacidade de perceber conteúdos inconscientes a nível pessoal e coletivo. (JUNG 1998)

…”Quando a libido de alguém vai para o inconsciente, menos vai para a pessoa humana; quando se dirige a pessoa humana, menos vai para o inconsciente. Mas quando se dirige a uma pessoa humana, e se for verdadeiro amor, é o mesmo que a libido ir diretamente ao inconsciente, pois a outra pessoa é um representante muito forte do inconsciente, mas apenas quando é amada de verdade.

Somente então o amor lhe dá a qualidade de mediadora que de outro modo e por si mesma nunca teria conseguido.” (JUNG 2000 § 1105, 1106)

O Mamute carrega o sentimento daquele que está tolhido da convivência com os “iguais”, está em extinção: solidão em tempo sem identidade. Ao longo da trilogia, com a convivência com o bando é que Manny demonstra permitir o contato com sua consciência, da falta que sente dos “iguais”, das defesas que estabeleceu, tentando não se vincular para não sofrer a possível ausência.

Temos aqui um aspecto comum, com forte carga afetiva, que pode funcionar como amalgama ao bando: a solidão.

Devolver a criança encontrada ao seu bando representa a possibilidade de Manny enfrentar, ao conectar-se com seus sentimentos, elaborar suas dores e solidão de infância.

É a criança que o aproxima de seu afeto, sem palavras, entrando no silêncio deste sentimento, permitindo que saia do espaço de defesa para reconhecer que formam um bando e que ele quer, precisa deste bando, e é nele que transcende a experiência do desamparo, do abandono pela morte de seus pais, para a vivência de cuidado e zelo na relação com o outro. Torna-se para os demais o protetor que não teve, como na vivência do curador ferido, arquétipo conhecido ou ainda como diz Hillman em “O Mito da Análise”, onde a cura está na própria doença. A cura para a dor de Manny está em sua própria defesa e medo de vincular-se.

O princípio da homeopatia de que os semelhantes se curam é evocado por Groesbeck (1983) quando em seu artigo discute a imagem arquetípica do médico ferido, nos apropriamos e ampliamos o conceito, para a experiência do bando em questão, onde os três são curadores feridos.

Abandono, solidão, medo, insegurança, rejeição, são algumas das feridas que Manny, Sid e Diego carregam. São feridas arquetípicas, herdadas psiquicamente e coletivamente. Porém conectar-se com estas feridas é fundamental para transcendê-las ou ainda nos apropriando da ideia de antropofagia de Oswald de Andrade, viver a antropofagia, no sufixo fagia – nas/das próprias feridas.

Na constituição do bando, vemos na primeira película a criação das amalgamas necessárias para que encontrem razões que justifiquem continuarem juntos apesar de suas origens estarem em bandos diferentes. À medida que a convivência vai se dando, enxergam o outro, reconhecendo-o, fazem a si próprios.

Há pouco um analista me disse que jamais abandonaria a prática analítica, pois se deixasse de ver pacientes cairia doente outra vez. Em essência o que ele estava me dizendo era que só pela exposição de si mesmo no trabalho com os pacientes é que podia manter-se em contato consigo mesmo e encontrar as raízes e fontes de totalidade num nível que lhe proporcionasse um certo tipo de equilíbrio. (Groesbeck 1983 pág. 94/95)

Se deixarmos o espaço clínico e nos voltarmos para as relações na vida, podemos pensar que para que Manny, Sid e Diego se constituam como bando, precisam constelar o arquétipo do curador ferido, inclusive para conseguirem cumprir a primeira tarefa em relação ao bebe, que pese ser uma ameaça, ao crescer tornar-se um caçador e matá-los, como os humanos que dizimaram o bando de Manny.

A experiência do bando, em cuidar do bebe humano, evoca a possibilidade da redenção pela relação, o arquétipo do curador ferido.

O Tigre, Diego, tem sua transformação na experiência da relação de aceitação, cuidado e amorosidade. Enquanto o bando se constitui, vivencia a experiência do “ser aceito” como é, mesmo que tenha trazido consigo a missão que poderia ter causado a morte de todos eles – lembremos que a missão atribuída a Diego para pegar o bebe humano e levá-lo ao bando de tigres é uma forma de lei de Talião, olho por olho, dente por dente, matar o bebe humano, como os humanos matarão os tigres. O respeito ao que ele é, o aproxima do sentimento provocado pela relação com Manny e Sid.

A própria fuga do antigo território em virtude dos tempos gelados que começam a chegar, das alterações climáticas inesperadas – que vemos no segundo episódio – reforçam os sentimentos que carregam, migram para o desconhecido, para o lugar que não é a ”terra prometida”, fogem do passado e do presente geográfico, e ao mesmo tempo percorrem o passado e o presente existencial, distanciar-se de quem foram, para buscar no grupo o que podem ser. A possibilidade do vir a ser o que se é.

Diego é acolhido por Sid e por Manfred, sem se preocuparem com sua história, com sua condição de predador (afinal Sid e Manny são herbívoros) e com o que poderia acrescentar ao grupo. Não há preocupação com o que pode representar, embora haja cuidado e consciência de que Diego ainda, pelo menos, não é um amigo. A gratuidade do acolhimento torna possível a capacidade de re-significar sua forma de existir.

Manny e Sid não resistem a Diego, buscam re-existir na relação com ele.

Barcellos (2009) chama nossa atenção para a idéia de fraternidade quando não unificamos diferença, mas temos o cuidadoso e zeloso trabalho de diferenciar as semelhanças.

Diego age de imediato como melhor sabe: provocando e querendo gerar conflitos entre Sid e Manny. Diego só sabe fazer dessa forma, porque é a única maneira de relação que conhece. Em seu bando de origem, as coisas funcionam assim.

A percepção de grupo aparece pela primeira vez, quando Diego é salvo por Manny que diz: “isto é o que se faz em bando: um cuida do outro”. A palavra escolhida (bando) não é intempestiva, “bando” remete a um juntado, quando o amálgama da amizade, cumplicidade, ainda não é tão evidente. E ela se reconhece quando vão ser atacados pelos tigres. Ao revelar a própria traição, Diego manifesta o sentimento e preocupação com o bando, há afeto envolvido na relação dos três. Criam estratégias onde cada um tem uma função e precisam estabelecer e manter mútua confiança, pois se um falhar ou recuar, a vida de todos fica em risco.

A revelação de Diego, permite a integração de aspectos sombrios seus, sendo uma auto-permissão para deixar seu bando e sentir-se totalmente inserido na relação com Manny e Sid, podendo Ser o que é, transformando-se.

Vemos aqui uma experiência onde só é possível sobreviver no exercício da confiança, abertura e generosidade ao cuidar do outro, unindo e integrando os opostos, tomando consciência de aspectos sombrios, de um padrão de funcionamento, Diego está livre para fazer uma escolha e a faz: pelo bando onde se reconhece com Sid e Manny.

 

 

Diego Começa a Perceber Manny, Seu Sofrimento e a Modificar Seus Propósitos

 

Com o interesse pelo bebe (Vida Nova), os três se unem, com reservas e certa descrença. Seja para devolvê-lo ou para destruí-lo.

No estabelecimento da confiança, se arriscam na entrega necessária à convivência. O humor, sempre está presente, como quando Diego salva Sid dos rinocerontes, colocando-o na boca e diz que não o comeria porque não come porcaria.

Diego vê na caverna Manny se emocionar com um desenho na parede de outros manutes, de seus antepassados, olhando para sua história, re-vivendo a violência dos humanos atacando sua família, sendo ele o único sobrevivente. Esta cena, apesar de referir-se a Manny, se apresenta com um caráter transformador para ambos. Diego se conecta com o sentimento do outro – Manny.

A amizade vai se construindo na contra corrente da insatisfação. Vivem a experiência de Ubuntu, um termo africano que significa uma forma de viver, viver em comunidade, buscando maneiras de se relacionar com o outro, onde prevalece o respeito, zelo, cuidado, atenção, afeto, sentimentos, onde a Vida é a coisa mais importante, onde só posso ser quem sou na relação com o outro, que é diferente de mim, mas em quem interfiro e dos quais recebo as interferências. Como um fazer Alma constante.

A experiência do Bando nos possibilita a solidão, a busca de si próprio. Na relação com o outro temos a chance da redenção e algumas vezes o sentimento de luminosidade. A Alma busca experiências profundas na relação com o outro, que aponta para caminhos de acordo com as necessidades.

Na relação do bando, cria-se a oportunidade das vivências das projeções (partilhando o que se tem e se sente), transferências, vinculações, intimidade, confiança, frustração, medo, mas sem dúvida uma das chaves para a forma sadia de relacionamento é o que cada um carrega dentro de si, suas vivências, sua experiência de vida. A experiência da diversidade é a experiência da diferença dentro e fora de nós mesmos.

 

Reconhecimento da Identidade

 

Depois da batalha com os tigres:

Diego – Fomos uma bela equipe.

Manny – Fomos? Que isso, ainda somos!

Diego – Sinto muito pela armadilha.

Sid – Ah você me conhece. Tenho preguiça ate para guardar mágoa.

(O Bebe acaricia Diego)

Diego – Para com isso baixinho você precisa ser forte, principalmente para cuidar do Manfred e do Sid, principalmente do Sid.

Sid – Ah qual é.  Você vai sair dessa, você é um Tigre … Eu te carrego … E aí o que me diz? Vamos lá. Diz que ele vai ficar bom Manny.

Diego – Vão, ah vocês tem que me deixar aqui, se os humanos atravessarem a passagem nunca irão alcançá-los.

Manny – Não precisava fazer aquilo.

Diego – É isso que se faz em um bando.

 

Presenciamos não só mais um passo importante na construção da identidade como bando, como um canal, compreendido pelos três para externar os sentimentos.

Diego já havia sido aceito e enxergado em suas possibilidades, antes mesmo de ele próprio reconhecer sua vontade de pertencer ao bando.

Para se fazer parte de um bando é preciso que haja cumplicidade de todos os envolvidos, desejo em estar junto, não pela falta de outras companhias, mas pela escolha de se estar com estas pessoas.

Quem não tem segredos? Todos nós temos. Eles também nos tornam especiais, são eles e neles que nos protegemos, nos cuidamos, aprendemos a riqueza da relação com o outro, que á medida que vai se sedimentando, cria-se o amalgama delicado, firme e flexível ao mesmo tempo, podemos partilhar nossas intimidades, o que somos e sentimos. Vamos ficando a vontade para nos mostrar ao NOSSO BANDO, que, diga-se de passagem, é sempre por nós escolhido e onde nos RE-CONHECEMOS e estamos tomados pelo afeto com consciência. Jung (2007) chama a atenção para a necessidade da consciência do afeto e canais de vivência das emoções, para que não sejamos possuídos por elas, mas para que possamos tê-las integradas e continuemos no processo de individuação.

A “humanidade” de cada um surge em muitas circunstâncias, mas uma delas é delicada e frágil, quando o medo aparece. Sid, externa seus medos, mas quando Manny reconhece e enfrenta o medo de gostar de Ellen e ser rejeitado, que o gostar lhe traga mais sofrimento; e Diego enfrenta a água, acreditando nas orientações que o amigo Sid lhe havia dado (acreditar no outro) ambos tornam-se mais seguros e fortes.

Diego nos dá um presente, quando chama nossa atenção e coloca Sid claramente como o amalgama do grupo (a experiência dionisíaca com amalgama). Sua maneira despojada, com preguiça de guardar até as coisas ruins, mantém o grupo juntos, sempre. Sid, com seus aspectos dionisíacos, não ignora as situações difíceis da convivência, mas faz antropofagia delas, recebendo, mastigando, digerindo e retornando ao bando com sua maneira brincalhona, levando os mais sérios à loucura, irritando-os, mas colaborando para que o bando re-exista ou se preferirmos que exista reconhecendo seu processo de constante transformação ao invés de simplesmente resistir.

Na terceira película, nos deparamos com a doninha Buck, que conduz o bando ao mundo dos ínferos, alertando-os que ao entrarem precisam deixar para traz toda a esperança para poderem salvar o amigo Sid, que já está no Hades, será preciso passar com dignidade pelo abismo da morte e pelo poço da dor: maldição e desespero. Enfrentar os medos e neles encontrar sua força, transitando nestes espaços será a única maneira de conseguir reunir o bando e iniciar uma nova etapa de vida, nova trajetória.

Por fim, vemos uma atitude das mais difíceis: o exercício do desapego.

Em bando, “liberamos” o outro para ser feliz, para seguir em seu processo de individuação, mesmo que isso implique em não fazermos parte diretamente do novo caminho, o que somente pode ser compreendido pela presença do Amor.

 

Bibliografia

 

ALVARENGA, Maria Zélia de & Colaboradores. Mitologia Simbólica. São Paulo, Casa do Psicólogo, 2007.

BARCELLOS, Gustavo. O Irmão. Psicologia do Arquétipo do Fraterno. Rio de Janeiro, Vozes, 2009.

BRANDÃO, Junito de Souza. Mitologia Grega. v II. Petrópolis, Rio de Janeiro, Vozes, 1987.

GROESBECK, C. J. A imagem arquetípica do médico ferido, in Revista da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica. Junguiana. n 1. São Paulo, Junguiana, 1983.

HILLMAN, James. O Mito da Análise. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1984.

JUNG, Carl Gustav. A Natureza da Psique. 4 ed. v VIII/2, Petrópolis, Rio de Janeiro, Vozes, 1998.

JUNG, Carl Gustav. Civilização em Transição. v X/3, Petrópolis, Rio de Janeiro, Vozes, 1993.

JUNG, Carl Gustav. A Vida Simbólica. v XVIII/2, Petrópolis, Rio de Janeiro, Vozes, 2000.

JUNG, Carl Gustav. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. 5 ed. v IX/1, Petrópolis, Rio de Janeiro, Vozes, 2007.

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2 pensamentos sobre “Um Olhar “Animado” Sobre a Amizade: A Trilogia – A Era do Gelo – Nilson Santos e Elisabete Christofoletti

  1. Animado e lindo! Obrigada Bete e Nilson pelo compartilhar dessa aventura.
    Aquilo que nos alimenta na vivência em Bando aquece nossos corações nas travessias da vida. Então já não faz tanta diferença se estamos perto ou longe, mas estamos ligados, conectados, irmanados.

  2. Oi Patrícia,
    Amizade é coisa rara e preciosa.
    sair da condição de isolamento e exercitar a convivência em bando pode trazer oque de melhor temos.

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