(r) Existo!

[r]Existo!
“Esse é o resultado de um trabalho fotográfico durante a inundação do rio Madeira, no Departamento de Rondônia, Brasil, feito no ano de 2014. Assim, registramos o avanço da água e, em logo, o regresso das pessoas retomando  suas casas.
Nesse processo,estabelecemos uma reflexão sobre a relação com o rio, com as casas, a água, a capacidade de começar de novo, não RESISTINDO, mas RE-EXISTINDO, a resiliência e a necessidade de voltar às mesmas casas, totalmente destruídas, formando uma cena angustiante, a qual, entretanto, com a intervenção humana, tomou outra dimensão.
Assim nasceu essa instalação multimídia pela primeira vez, na cidade de Porto Velho, Rondônia, localizada no sul da Amazônia, no oitavo mês de 2014.
São registros fotográficos das águas, tendo as casas e o retorno às mesmas, ligados por uma teia-trançada de fios, como o de Ariadne.
No ‘centro-coração’ das imagens, o chão abriga os sedimentos transportados pelo rio que tomava a cidade, e, na medida em que a água recuou, os objetos pessoais e domésticos misturaram-se com os sedimentos.
Do ‘centro-coração’ dos objetos e sedimentos, emana um som-lamento, das pessoas tentando voltar para seus lugares e o que representa isso para elas, principiando aí, um trabalho de História Oral de Vida.
A cidade de Porto Velho, localiza-se no sul da Amazônia, Rondônia, Brasil, na fronteira do Acre, Amazonas, Mato Grosso e Bolívia. Como fronteira, carrega em sua origem, o furto, a agressão, como um lugar de passagem e onde “nunca se quis ficar.”
Essa transitoriedade alimenta o inconsciente coletivo, mas, não permite o cuidado e o amor adicionados a uma genitalidade, aumentando a dissociação Corpo e Alma.
Des-protegidos,des-possuídos, as casas foram abandonadas à sua sorte, e, sofrendo investidas que não foram poucas, no furto de seus objetos, mesmo em meio às águas.
Por um lado, se vemos os porões de nossa existência nesse atual e novo modo de usurpação, por outro, o mesmo barco que carrega o furto, salvou da inundação, e permite o princípio do retorno precoce às casas, às histórias, à memória contidas nos objetos, e no fazer da própria casa.
Uma a uma, as pessoas voltam, e começam por si sós, mesmo sabendo que tudo vai seguir igual, ou o que se podem promover a transformação alquímica?
No regresso às suas casas, o caminho começa a ser feito pelos barcos, os quais, na mitologia e em outras culturas, levam seus mortos, fazendo a passagem da vida para a morte e da morte para a entrada em um nova vida.
Ficha Técnica:
Fotografias:Elisabete Christofoletti, Nilson Santos e Joeser Alvarez
Desenhos: Flávio Dutka
Trilha sonora: Bira Lourenço e Catatau
Produção, Montagem e Conceito Multimedia: Coletivo Madeirista
Texto:Elisabete Christofoletti e Nilson Santos
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