Internet: O Tempo-Espaço das Coisas (aparentemente) Impossíveis – Elisabete Christofoletti

Internet: O Tempo-Espaço das Coisas (aparentemente) Impossíveis

Elisabete Christofoletti

elisabete.christofoletti@gmail.com

Ainda espero o dia em que poderemos nos tele-transportar com a segurança e tranqüilidade com a qual entramos em um meio de transporte terrestre ou aéreo. Se a idéia pode parecer estranha a alguns, vale lembrar que a ciência já tem feito experiências neste sentido, em junho de 2004, o jornal “O Estado de São Paulo”, publicava uma matéria relatando experimentos de dois grupos de cientistas nos Estados Unidos e na Austrália, provando que é possível transmitir propriedades de um átomo para outro sem que haja algum tipo de ligação física entre eles (www.nature.com). Antes ainda, dois anos antes da publicação desta matéria cientistas da Austrália haviam conseguido tele-transportar um feixe de laser, com bilhões de fótons de um local para outro, mas as partículas não tinham massa… nós seres humanos ainda precisaremos esperar um pouco mais para aumentar nosso poder de mobilidade física.

A exemplo da forma de transporte, a ciência e os técnicos em designer trouxeram para a nossa virtualidade, ops! realidade o modelo de celular star tack inspirado no inter-comunicador da série Star Trek, ainda como na série, nos comunicamos em movimento, fantástico!

Nos anos de 1962 e 1963 a Hanna-Barbera produções exibia na TV Excelsior a série “Os Jetsons”, provocando no imaginário das pessoas o futuro da humanidade, com carros voadores, cidades elevadas, a adorável “Rose” uma robô que além de cuidar do trabalho doméstico, demonstrava sentimentos de afeto e cuidado “humano” (mais recentemente o filme “AI-Inteligência Artificial”, discutindo a relação do humano com a máquina e sua capacidade de desenvolver sentimentos e elaborá-los) por toda a família, embora em alguns episódios sofresse com problemas em sua programação. Rose conseguia desenvolver cumplicidade na relação com a família; sem considerar o telefone utilizado pela família onde era possível ver a pessoa, a exemplo do nosso skype hoje.

No período compreendido entre 1960 a 1966, a mesma Hanna-Barbera produziu 166 episódios dos “Flinstones”, dublado em 22 idiomas e já visto por mais de 300 milhões de pessoas. Uma série que tratava a vida na idade da pedra, família, amizade, e da adoção do menino Ban Ban. Mesmo nesta idade da pedra a tecnologia existia já adaptada a matéria prima que se tinha em mãos, como mamutes que funcionam como aspiradores de pó. A título de curiosidade, este foi o primeiro desenho animado produzido pela Hanna-Barbera e até hoje o que mais lhe rendeu prestígio e retorno econômico.

O homem, sempre manteve sua curiosidade sobre o que foi e o que será. O fascínio e as imagens que emanam das fantasias humanas precisam do velho e do novo para manifestar-se, o novo somente será criado na relação com o velho, num tempo desdobrado onde todas as vivências temporais ocorrem simultaneamente.

Presente, Passado e Futuro abrem-se num mesmo espaço,uma mesma dobra temporal, coexistindo, sendo agentes e criadores. Este conceito de temporalidade está vinculado também a idéia de uma psicologia politeísta, como defende J. Hillman, com um processo de individuação que permite uma multiplicidade, plasticidade á medida que amplia o movimento, destronando o ego com o uso de imaginação ativa, e defendendo que somos multi, pluralidade de arquetípicos, com abertura para vários mitos de origem.

Jung já dizia que carregamos em nós todos os que vieram anteriormente. A totalidade, a alteridade emana dos dois mundos que se complementam, um evocando o outro.

No ano de 2009, contamos com 106.956.367.669 pessoas que passaram vivendo na terra, sendo que hoje somos 6.000.000.000. Somos multifacetados, vivemos uma multiplicidades de lugares, relações e possibilidades em nós mesmos, somos criativos, o que o cotidiano e conceitos conservadores, reducionistas insistem em uniformizar.

A busca de padronização pertence ao mundo de trabalho, (ao mundo do ego) igualando os homens, segundo Walter Benjamim, no mundo do capitalismo todos temos as horas iguais e assim o narrador morre. Enquanto que Edmund Husserl defende que o homem só está inserido no “mundo da vida” nas histórias que são contadas e re-contadas a seu respeito, como nos mitos.

Em 1996, recebemos a notícia da clonagem da ovelha Dolly, o mundo ficou estupefato, não somente com a possibilidade da descoberta de cura para diversas doenças, mas pela possibilidade vislumbrada de maior manipulação genética, gerando homens a nossa imagem e semelhança, finalmente brincamos de deus, embora a vida ainda assim seja reproduzida, aprendemos a copiar direitinho.

Atualmente vivemos a possibilidade de desenvolver nossa solidariedade, doando algo virtual, que na rede de computadores cadastrados tornam-se em nossa linguagem “real”, afinal, o que é mais real que o virtual? Como um dia disse Chuang-Tzé, “Não sei se fui um homem sonhando que era uma borboleta ou se agora sou uma borboleta sonhando que é um homem.”

A “Word Community Bridge” nos possibilita doar o tempo ocioso do processador do nosso computador para pesquisas cadastradas e selecionadas pelo programa em todo o mundo. O resultado é que o tempo necessário para cálculos altamente complexos, com a solidariedade dos internautas diminuem brutalmente. No Brasil, por exemplo, o Instituto Oswaldo Cruz tem conseguido chegar mais rapidamente a resultados em determinadas pesquisas participando do Bridge. Solidariedade virtual?! Pode até ser, mas, não é ficcional.

A ficção inspira o que conhecemos como realidade. De onde vem o que o homem cria, manifesta e vive neste universo, se não da vida arquetípica, do inconsciente? Até quando, que ainda podemos tentar nos posicionar mantendo em esferas separadas e distantes da psicologia, da psicoterapia, da análise, as múltiplas possibilidades que a tecnologia nos oferece como ferramenta terapêutica? Um utensílio, um instrumento para que um propósito maior seja alcançado.

Manteremos nosso analfabetismo tecnológico funcional motivado pelo medo do desconhecido, pelos riscos de erros (lembremos o início da psicanálise), ou ainda esconderemos os caminhos que já temos traçado, os alinhavos que muitos tem feito na vivência do espaço multimídia e análise/ supervisão?

Nos anos oitenta e noventa, fomos tomados pelas imagens de Matrix dando vida a discussões maravilhosas sobre realidade, ficção, multiplicidade nos pensamentos, possibilidades de narrativa/ textos e múltiplos usos da internet.

Recentemente acompanhamos o mundo do “Second Life”, onde a pessoa poderia criar um personagem que percebemos ser o oposto ou o complemento do internauta, a pessoa que gostaria de ser, suas impossibilidades no cotidiano, e dar a ele a possibilidade de vivenciar fantasias, um espaço para experienciar outras formas de ser no mundo, onde personagens e suas histórias ganham vida. Seriam formas de elaboração? Como nos sonhos? E ao contrário do que alguns questionam, não é facilitador de dissociação, mas de re-constituição e elaboração.

Nas comunidades anexadas nos Orkuts observamos a necessidade de pertencimento, o mais comum são muitas comunidades vinculadas a um internauta, a identificação criada, permeada de conteúdos arquetípicos, vivências narcísicas quando se busca espelhamento pela semelhança, pelo igual buscado nas comunidades. A história de um poderia com tranqüilidade ser do outro, assim como usufruir da possibilidade de incorporar outras tantas personas. Deparamo-nos com a multiplicidade de papeis que podem nos compor e a partir dos quais olhamos e temos a possibilidade de alimentar ou elaborar nossas tantas feridas.

Rapidamente o mundo da mercadoria descobriu o filão e lá também se instalou, transformando em realidade o que poderia ser possibilidade imagética.

A imagem é por si própria, não quer saber opor que, mas sabe que é e isso basta. É anárquica (Hillman) pois não interpreta, conecta com o sentimento, com o complexo, não é previsível, o semelhante cura o semelhante.

O espaço virtual que é ficcional também, como o tempo e espaço das coisas (aparentemente) impossíveis, de manifestação do inconsciente em toda a sua grandeza, pode ser re-conhecido.

Encontramos várias formas de manifestação na internet Orkut, jogos, blog, site, twiter, grupos de discussão que podem ser abertos ou fechados, cursos on line. Robert Bosnak, (www.cyberdreamwork.com) realiza há algum tempo grupos de sonhos pela internet, e atualmente vem trabalhando com o espírito do lugar. Afinal como junguianos sabemos que cada lugar tem seu próprio espírito e este espírito interfere na maneira como nossa psique se manifesta. Qual seria o espírito deste nosso Ábaton, no universo do cyberspace?

Relação da Análise, Supervisão com Multimídia

Como estes processos se dão e como corroboram para o desenvolvimento da psique?

Experiências utilizando instrumentos da multimídea vem sendo realizadas com grupos de sonhos, psicoterapia, análise, supervisão, desde que a internet tem feito parte de nosso cotidiano e a intimidade com a máquina vem aumentando, homem e máquina se diferenciam, mas trabalham como se fossem unidade. Existem ainda empresas como a Sentimine de Seatle, que criou uma ferramenta na internet para analisar sentimentos, a Amazon é uma das empresas que experimentaram o programa.

É possível sim, um trabalho sério, ético, competente com uso multimídia, isto é, email, skype, telefone sem utilizar nenhum programa de análise de sentimentos, como mais comumente vivemos na relação presencial identificamos nosso grau de empatia, isso também ocorre nos processos multimídia, seja em grupo, individual, análise ou supervisão.

Alguns cuidados para que o Ábaton aqui criado e estabelecido seja protegido: que os envolvidos tenham certa intimidade, curiosidade tecnológica para que possam ser experienciados com tranqüilidade e liberdade, como enfatizo o uso de email, que aja um endereço específico para este trabalho (proteção de vírus, invasão). Mas a virtualidade também imita a vida, sabemos que apesar de todos os cuidados é possível que registros de atendimentos, casos clínicos também possam sofrer invasão no espaço físico, como o roubo, ou espionagem por exemplo. Às vezes podemos confundir nosso medo pelo novo com a vulnerabilidade que atribuímos a algo, a partir do qual nos escondemos.

Em episódio recente da série “House” da TV o médico diagnostica e cura uma paciente utilizando este instrumento, já que ele se encontrava no hospital da Universidade de Princeton e ela numa base isolada do Alaska; ou ainda empresas como a Petrobrás usam de tecnologia similar para se comunicar, para cursos e treinamentos com plataformas em alto mar, assim como os funcionários contatam com suas famílias.

Como colocou várias vezes Nise da Silveira, vivemos no mundo da palavra onde muitas vezes acaba sendo literalizada, concreta e com isso perdemos a riqueza do mundo das imagens, nos apegamos as palavras e deixamos a imagem.

Trabalhamos com um espaço imaginário (que não é uma entidade física e concreta), que acolhe outra virtualidade: a do sujeito, do inconsciente. Que no estado intermediário do cyberspace amplifica a realidade com a plasticidade deste espaço imaginal, um “não-lugar”. Com as mensagens na internet saímos do mundo cartesiano, ganhando em plasticidade e interatividade, transformação e de forma coletiva.

Qual o lugar do cyberspace? No lugar da humanidade, interação das memórias informatizadas e fictícias, instrumento coletivo de subjetivação, proporcionando autonomia as pessoas, como coloca tão bem Pierre Levy.

É o cyberspace também um modo, um instrumento de construção da alma, considerando que a função da análise é a relativização do ego pela imagem como diz Hillman.

Este cyberspace solicita uma rotina e disciplina, pois ritualizado pelo tempo organizado e disponível para esta tarefa, o preparo do computador, manuseio das ferramentas e estar perante uma tela onde a narrativa/ texto irá ganhar uma forma possível. Isso o diferencia do cotidiano, banal, sem reflexão, no tempo do fazer algo ininterruptamente. A liberdade na composição da narrativa/ texto é lúdica, ativando e convidando a criança interna a desvendar os recursos que ela própria consegue desenvolver, forma como a narrativa/ texto/ texto é apresentada, imagens anexadas, criada pela própria pessoa. A voz interna, o inconsciente é amplificado.

A pessoa fala para ela mesma, ela e a máquina, o instrumento de comunicação. O analista do outro lado está lá, mas como não tem (no caso do email) a experiência da troca imediata, não vê e não se vê na reação corporal do analista, na expressão de sentimentos imediatos, portanto, a liberdade para a liberação das fantasias pode ser muito rica, e na interlocução com o analista, a crítica pode ser menor possibilitando um bom aprofundamento. O material enviado por email para o analista/supervisor teve um tempo de maturação, ficou vivo, vibrante a espera da interlocução além de si mesmo, antes de ser com o outro é com o próprio narrador, que em seu silêncio e solidão do teclado com o monitor constitui um mundo próprio e rico de símbolos e elaborações.

Ao dialogar com a narrativa/ texto no email irá integrar suas observações no corpo no email já escrito, com outra letra e cor. Ganhamos mobilidade e plasticidade.

No uso do email, palavra escrita com caráter analítico, onde analistas, analisandos, supervisores e supervisionandos, vão elaborando uma estrutura específica de manifestação, uma narrativa/ texto dentre tantas possibilidades à sua disposição, através da forma, estilo, letra, cor, linguagem própria, expressam sentimentos, palavras e símbolos lingüísticos criados nesta relação, tornando espaço possível para o inconsciente tornar-se possível, criando um Ábaton seguro e criativo.

A linguagem muda o mundo humano, a exemplo dos códigos utilizados pelos internautas.

Quando não se conhece fisicamente a pessoa com quem se está trabalhando é possível estabelecer um processo transferencial também. Quando chega uma mensagem de uma determinada pessoa, é possível evitá-la ou rapidamente abri-la para lê-la. Você empatiza com um e sente raiva do outro, também os elementos sombrios surgem rapidamente e com nitidez, afinal como não se tem a presença física, a liberdade para contatar com os sentimentos e o mundo interno ganha plasticidade, é o vivenciar de um soul making, como diria J. Hillman.

Um grupo é estabelecido pelo interesse comum em trabalhar seus sonhos pela internet, as pessoas não se conhecem, o vinculo está no desejo do tipo de trabalho oferecido. (OLIVEIRA, M., 2003) Sem informações pessoais, as relações ocorrem pelo conteúdo apresentado, a persona construída por cada um, na forma de se posicionar, no conteúdo narrado, na freqüência das intervenções e participações ou ainda que fazem um movimento mais “voyeur”. A medida que o trabalho caminha, que os emails vão sendo trocados, as pessoas vão se identificando e empatizando umas com as outras e com os respectivos conteúdos, sentindo-se acolhidas, protegidas e seguras para partilhar suas angústias.

Propomos a criação de uma narrativa/ texto com conexões imediatas, onde as interconexões são feitas em conjunto com os envolvidos no processo, seja analista/analisando e supervisor/supervisionando. Criamos não somente a vivência de hyperlinks, quando vamos abrindo janelas, uma muitas vezes para esclarecer a anterior, mas vivemos a possibilidade da ampliação da memória, uma memória adquirida e re-conhecida no conteúdo apresentado pelo outro na relação analítica e/ou supervisão, apoiando-nos no conceito de inconsciente coletivo.

Neste espaço hermético, circulamos pela memória na criação e circulação de espaços imaginários, da incorporação de uma memória e de um inconsciente coletivo que re-conhecido traz a consciência múltiplas possibilidades de vivência do simbólico. (na verdade as vivências multi existirão independente do re-conhecimento, ele somente permite que possamos tomar nas mãos e nas duas, o próprio destino)

Na leitura de um livro, nos envolvemos, empatizamos com personagens, sonhamos, projetamos, transferimos, sentimentos emanam da sombra, transformamos, ativamos anima, animus. Por que pensaríamos que isso não aconteceria na situação analítica vivenciada por email? É uma vivência real por que nos mobiliza, nos provoca vida.

Saramago, em seu conto sobre a Ilha Desconhecida, desperta em nós a obvia lembrança de que não conhecemos simplesmente o que ainda é desconhecido, se algo não existe é por que não o criamos, ainda ou continuamos em nossa ignorância e não conseguimos re-conhecer.

Após a criação de um Ábaton seguro, onde o preservamos como no setting terapêutico, ali o material “bruto” é depositado. O que escrevemos, a narrativa/ texto se faz como um verdadeiro objeto de arte, imagem sendo construída quando não buscamos controlar o que estamos escrevendo, ou melhor, quando não nos preocupamos em corrigi-lo, contamos com a espontaneidade contida na fala. Manifestação de sensações, sentimentos, impulsos, sentimentos primários.

A internet, como espaço e possibilidade de escolha e criação de narrativa/ textos próprias, expressa interioridades possíveis e necessária, mesmo que aparentemente ficcional, afinal a escolha feita na formatação deste relato, não são do inconsciente? Não circulamos pelo tempo espaço das coisas (aparentemente) impossíveis?

Quando questionada sobre a vulnerabilidade da narrativa/ texto, haverá veracidade nela, será a pessoa daquela forma? Se tomarmos como imagem, como sonho, a narrativa/ texto é também simbólica, direta do texto e não a coisa em si.

A capacidade de simbolização vem do texto, narrativa/ texto como imagem, desenhada pelas letras, palavras, traduzindo um secreto e importante conteúdo, seu tempo de elaboração; linguagem própria, somente compreendida neste Ábaton.

O hipertexto compreende a junção do texto escrito, a maneira como foi escrito, apresentação, a dinâmica e vivacidade da internet, da interação na leitura viva e integrada com os símbolos. Afinal o que fizeram Freud e Jung ao longo das 359 cartas que trocaram?

Ler um texto é voltar-se para sua interioridade, interajo e eu e o texto somos um só, os complexos são ali expostos, assim como as fragilidades e dúvidas, projetamos nas escolhas feitas para a construção do texto, simbolizamos, unimos fragmentos do que nos constitui. O texto sou eu e faz a interface comigo mesmo. Entro no texto, amplio, diminuo, me insiro em seus linhas, faço parte de todos os textos que desejar. Alteração de letra, tamanho, cor.

O texto na ferramenta da internet no email ocupa um espaço continuo e flutuante.

Já nossos antepassados buscaram nas grafias e nas pinturas rupestres expressar algo sob as quais podemos hipotetizar, e sempre a partir de nossas possibilidades de compreensão, sempre a partir da consciência do nosso tempo, não sabemos se queriam fixar algo ou se o faziam como forma de elaboração, simplesmente porque precisavam.

O uso de email para análise ou supervisão é uma possibilidade, podendo ser mais adequado ou necessário a uns do que a outros, formas de relação deste novo tempo, do transito mais livre entre realidades, movimentação entre o tempo e espaço sempre de coisas possíveis e impossíveis, dialogando.

Na narrativa/ texto e no processo é possível re-conhecer nossas projeções, o processo transferencial é ali exposto claramente, empatizamos ou não com nosso interlocutor, identificamos o estado de humor, pela escolha das palavras, forma de escrito, cor escolhida para o texto, tempo de resposta entre os emails (lembremos do tempo entre as correspondências de Freud e Jung), os aspectos sombrios, quando surge a imensa dificuldade em falar sobre algo, a vergonha da narrativa/ texto, as resistências, quando por exemplo um email pronto para ser enviado fica por dias, na caixa de saída e a pessoa tem certeza que o enviou, a raiva o acolhimento … cada pessoa tem uma forma de estabelecer sua própria narrativa/ texto, como temos nossa impressão digital que é única, não conseguimos imitar ou simular.

Na narrativa/ texto temos a possibilidade de certo distanciamento de nós mesmos, e ao contrário de um tipo de impressão, na narrativa/ texto não solidificamos uma possibilidade do vir a ser, mas ao contrário, nos sentimos mais livres, como num exercício de imaginação ativa, dialogamos com o inconsciente.

Refletimos sobre a consciência e o outro a partir dos nossos escombros, como expressa Vick Muniz, nos deparamos com a fragilidade humana e todas as suas possibilidades.

Em 1996, no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, comemorou-se os 90 anos de Encontros e Desencontros de Freud e Jung, onde na abertura do evento que reunia as duas escolas teóricas, a então presidente da SBPA, nos fala do tempo espaço das coisas do impossível, das idéias como símbolos estruturantes, como mobilização, como realidade que nos traduzem, que nos devolvem a nós mesmos (o novo, o uso da internet) e finalizo citando:

“Penso que somos, em tudo que fazemos,

aventureiros em busca do nosso próprio desconhecido;

somos pesquisadores de nós mesmos,

No tempo das coisas chamadas impossíveis

Qual será minha responsabilidade

diante de tudo que faço, penso, sinto, vivo,

estando aqui,

para criar um futuro diferente do provável?

A criação de um futuro diferente do provável

é meta de todos nós, analistas que somos

de todas as tribos.

A criação de um futuro diferente do provável

parece residir no reino das coisas impossíveis,

reino esse onde exercemos nosso mister.

No reino do inconsciente,

espaço-tempo das coisas impossíveis

sonhadas e desejadas,

temidas e esquecidas,

Refazemos nossa própria história,

criando um futuro diferente do provável.

…”

Referencias

OLIVEIRA, Marcos F. Os Sonhos e o Imaginário. São Paulo, SBPA, Monografia, 2003.

Jornal “O Estado de São Paulo” 17 junho de 2004 (http://scotty.ffclrp.usp.br/periodicos/estado/A13%20ratos%20monogamicos.pdf). Acesso em: 13 de junho de 2009.

www.nature.com. Acesso em: 13 de junho de 2009.

www.cyberdreamwork.com. Acesso em: 13 de junho de 2009.

http://www.wildernessdrum.com/html/imaginal06.html. Acesso em: 23 de agosto de 2009.

http://www.unir.br/~primeira/index.html. Acesso em: 23 de agosto de 2009. Centro de Hermenêutica do Presente. Primeira Versão, ano I, n. 44 – setembro  – Porto Velho, 2001.

http://www.unir.br/~primeira/index.html Acesso em: 23 de agosto de 2009. Centro de Hermenêutica do Presente. Primeira Versão, ano I, n. 47 – setembro  – Porto Velho, 2001.

* parafraseando Maria Zélia Alvarenga em revista Junguiana 14

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