[r]Existo! – documentário Coletivo Madeirista

[R]Existo!

Quando os nazistas levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista.
Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata.
Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista.
Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu.
Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse.

E NÃO SOBROU NINGUÉM, Martin Niemöller, Pastor Luterano

Vivemos em tempos de silêncio e de movimentos funcionando no esquema de “boiada”. Na falta de consciência, de compreensão, de mudanças de valores e a cada dia uma valorização menor, da condição do SER-Humano, da pessoa. Por isso, nos sentimos provocados a sair do silêncio.

Sair do silêncio, ou dar voz a ele, é o propósito deste documentário.

Buscamos compreender o silêncio e a passividade, o aceite do viver sempre tão transitório, nos lembramos de alguns dos mitos que origem que compõem o dna psíquico, a Alma de Porto Velho-RO e com isso a atitude, o movimento e a relação com o lugar, de quem aqui mora.

“Não importa que a tenham destruído, nós sempre retornamos para a casa onde nascemos.” A lembrança não é clara se o verso do poema é exatamente assim e nem se é mesmo de Carlos Drummond de Andrade (poeta brasileiro), mas foi numa viagem que fazíamos pela primeira vez à terra de onde nossos avós haviam vindo que lemos isso numa revista de bordo.

Esta fala sempre nos soou muito familiar, não por uma história pessoal, embora a sincronicidade tenha sido grande, mas por vermos isso tão claramente em Porto Velho, local onde as imagens e o documentário foi produzido.

Localizada na Amazônia, Porto Velho, segundo os historiadores populares, nasce como um local de transito, transição.

No trajeto das embarcações no leito do rio Madeira (está entre os dez maiores do mundo), havia a casa de um senhor, um velho, onde estas mesmas embarcações paravam para viabilizar algumas necessidades, e com o tempo ali eram deixados pertences, encomendas, recados.

A casa do velho tornou-se ponto de encontro e referência. Em seu entorno outras moradias foram sendo agregadas. Crianças ali nasceram e rapidamente a casa tornou-se Porto – Porto do Velho.

A história é longa. Poderíamos abordar aqui várias situações de transitoriedade, de usurpação inclusive na história recente. Usurpar, estar de maneira transitória como vemos em RO agride a terra e quem nela vive. Lembremos a mais recente, a construção da Usina hidroelétrica de Santo Antônio, na cachoeira, marco fundador da cidade.

A usina está instalada a três quilômetros do centro da cidade, tornando-se assim no mundo a usina de força hidroelétrica mais próxima de uma cidade.

Por fim, no Estado de Rondônia utilizamos energia de produção mista, hidroelétrica (jirau) e termoelétrica, a um preço bastante significativo em relação aos outros estados. Com a construção da usina de Santo Antônio, toda a geração de energia é direcionada para outros estados e mais uma vez, somos usurpados. Chega-se na terra, ganha-se a confiança ou no grito ou no papel assinado-assassinato e vai-se embora, deixando para traz o lixo do luxo.

Achamos importante evocar este mito de origem, pois, nos parece significativo na vivência da enchente vivida no ano de 2014.

Provavelmente tenham sido vários os fatores que a geraram, porém, vimos mais uma vez uma tragédia anunciada.

A medida em que as águas subiam, os pertences pessoais (quando havia transporte da prefeitura) eram retirados, mas muita coisa ficou para trás. Por incompetência do poder público, pelo silêncio das famílias, que já haviam vivido outros períodos de enchente e a falta de credibilidade de que o governo as retiraria dali, garantindo um espaço digno para que a vida pudesse seguir, além da sensação de falta de credibilidade de retorno posterior e auxílio para reconstruir o que se perdeu.

No silêncio, falta diálogo. Diálogo para juntos, população e poder público pudessem re-alocar os trabalhadores do maior centro de comércio popular, chamado de shopping popular, perdendo assim suas condições de trabalho e sustento das famílias.

Uma construção conjunta de caminhos de resolução. Silêncio!

No silêncio da vida improvisada.

Improvisada nas escolas, no incômodo das famílias e diretores que tiveram o início do ano escolar adiado e com isso o incômodo conjunto e desconfiança no uso dos espaços, que tornaram-se comum em função das circunstâncias.

No silêncio de um viver transitório.

Sabe-se que são regiões propensas a enchente, tanto que alguns órgãos públicos que ali funcionavam, não retornaram.

No silêncio, no aceitar passivo.

No silêncio da população da cidade que não sofreu diretamente com as cheias e ignorou o alagamento, ou participou do turismo da desgraça, navegando de voadeira pelas áreas alagadas e as famílias que li moravam e/ou trabalhando no transporte.

O silêncio que começa a ser quebrado, rompido pelas pegadas, sem nome, sem identidade que foram ficando no sedimento trazido pelas águas. Sedimento que engoliu muitas casas, objetos, o centro histórico da Estrada de Ferro Madeira Mamoré. O sedimento em que silenciosamente as pessoas foram pisando, construindo pegadas, reafirmando que continuavam vivas, que retornavam ao seu lugar de moradia, de trabalho, de origem.

No dizer silencioso das pegadas, dos objetos abandonados, sem condições de uso, abandonados à própria sorte. A história, pessoal e social vira lixo. A história pessoal e social, coletiva vira cenário para a produção de Selfs.

Uma maneira é esta de “lidar” com a morte que nos leva a refletir sobre a possibilidade da negação. Negação das condições em que se vive, do lugar, da relação com o ambiente.

Seria a não aceitação e incorporação da morte de um homem velho, de lugares por onde se esteve (mesmo que nunca se tenha desejado sair) que corrobora para que não se deixe ser conquistado? Levado, feito pelo novo? Condições pelas que passam migrantes e moradores de regiões de fronteiras?

Agredimos a terra onde estamos ou não nos relacionamos com ela para numa tentativa de não ratificar sua existência enquanto “lugar” gerador de vida?

Olhar estrangeiro?

Negamos o lugar, as pessoas porque negamos a nós mesmos?

Coletivo Madeirista

para acessar o documentário:

 

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[r]Exist!

First they came for the Socialistis, and I did not speak  out ­

Because I was not a Socialist.

Then they came for the Trade Unionists , and I did not speak  out

Because I was not a Trade Unionist.

Then they came for the Jews , and I did not speak out

Because I was not a Jew.

Then they came for me – and there was no one left to speak for me.

Martin Miemoller – Lutheran Pastor

We live in an age of silence and follow like a sheep. There is a lack of consciousness and understanding of changing values and each day less and less value given to what is human. The person feels provoked to come out of this silence.

Leave the silence, or to give a voice to it. That is the purpose of this documentary.

We understand, also that it is silence, or rather carelessness or under preparation in certain situation of government that are common to many of us. What makes us so different and yet so similar at the same time.

In trying to understand this silence and passivity, an acceptance of transitory living, we are reminded of some of the myths that make up the psychic DNA, the soul of Porto Velho city in Brasil, and consequently, the movement of the people who live there.

“No matter, what has been destroyed, we always return to our birthplace.”

The memory is not Always clear if the poem’s verse is exactly lite that, or not (Carlos Drummond, Brasilian poet). However it was a journey that we made for the first time the birthplace of an grandfathers that we read in an is flight magazine.

This discourse is very familiar not because of a personal story, however the synchronicity is great. We can see this clearly in Porto Velho city.

Located, in the Amazon, Porto Velho, according to popular belief was born as a transition site. It was the home of a many, an old man, where these. Same vessels docked end over time left belongings, orders and messages.

The old man’s house became both a meeting and reference point, and is the surrounding areas, other houses were birth. Children were born and the community quickly became known as Porto Velho.

The story is long. We could discuss here several examples of transience that, ever in recent history have haimed both land and people.

The most recent being the construction of S. Antônio hydroeletric dam at the waterfall where Marechal Candido Rondon arrived and where the church of S. Antônio was birtt thus marking the founding of the city.

The dam is located three kilometers from downtown Porto Velho city, making it hydroelectric dam closest to a city in the world

Finally, within the state of Rondônia we are mixed power generation, hydroelectric (Jirau) and thermoelectric at a price significantly more expensive to other states. Energy generated by the S. Antonio plant is sent to other states. Once again we are compromised, arriving, gaining confidence, intimidating, the rote of signature and assassin leaving behind trash of luxury.

We think it important to mention this myth of origin as it seems significant in the flood of 2014 (two Thousand fourteen).

There were probably several facts involved in this, however, once again we saw a tragedy unfold.

The level to which the Waters rose, the personal belongings that were taken (by way of city council transport) however much remained behind. By incompetence of government, the silence of families who had experienced other floods and the lack of credibility that the government resolves then ensure a dignified space where life can move on and reconstruct what was lost.

In the silence, a lack of dialogue to find families who live and work there in the most popular trading Market are known as “shopping popular”. It would be interesting if these places cold be relocated.

The city still has empty spaces belonging to government and the military.

A way to resolve the situation.

In the silence of an improvised life improvised in schools inconvenienced both families and school directors who had to postpone the start of the academic year and this, in turn led to discomfort and suspicion in the joint use of school meals with donations for the homeless.

In the silence of a living transitory. It is trains with areas are prone to flooding so that the situation can be avoided in the future.

In the silence of accepting ability.

In the silence of the population of the city, who, both did not suffer directly from the flooding and said nothing or who participated in the macabre tourism a boat trips around the flooded areas watching.

The silence that begins to be broken, broken by the footprints, no name, no identity that grew in the sediment, brought by the waters. Sediment that engulfed many homes.

Objects, the historic center of the Madeira Mamore Railway, the sediment in which people were silently reaffirming their lives, returning to their work, their homes.

In the words of the footsteps, the abandoned objects, unusable, left to their own fate. Personal and social history turns to waste. The personal and social history collective becomes the stage for the production of the self.

What is this dealing with death that leads us to reflect on the possibility of denial. Denial of the conditions in which we live, the place and relationship with the environment.

Would there be no acceptance and approval of the death of an old man in places. Where itens (even if you never wanted to leave) which confirms that they do not allow themselves to be conquered, taken, made by the new?

We are thankful to the land where we find ourselves and not, not have a relationships with it because we do not want to be here?

We deny the place, the people because we deny ourselves?

Coletivo Madeirsta

 

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