Amar Dói Amar – Sérgio Vaz

AMAR DÓI AMAR

Cansei de amar
Quero ser amado.
Não quero estar no mapa
Quero ser encontrado.

Se o coração está seco
De nada adianta beijo molhado.
Grande coisa um belo olhar
Se você não é notado.

Amar é sofrer
Ser amado… nem dói.

Que chorem pelos cantos
Como já chorei!
Ou se quiserem que façam promessas
aos santos, ao papa, ao pastor,
e até a Deus se quiserem, que eu nem ligo
– amar já não me interessa.

Olhei demais pela janela
Agora só quero só olhar para o meu umbigo.

Também não quero amor de mentirinha
Quero que amem de verdade
Assim como Romeu amou Julieta,
De tomar veneno e tudo.
mas já vou logo avisando:
veneno eu não tomo. Só cerveja.

Pois é, acordei com preguiça de amar
E disposição para ser amado.

Se alguém quiser, bem. Senão, bem também.

Quem me amar, que não me mande bilhetes,
Quero cartas de amor chorosas
Cheirando perfumes indecentes.

Bom, já disse, amar não amo mais.
Nem percam tempo comigo
Que é andar para trás.

Quem me quiser
Tem que saber dar de comer, pois:
Quero estrelas no café
Bolinhos de fogo no almoço
E seios fartos no jantar.

Não vou levar ninguém no colo.
O máximo que posso fazer
É dar saliva na boquinha,
Pentear sobrancelhas e fazer cosquinhas na virilha.
De resto, ficar esperando pelo gozo
Sem ter trabalhado.

Sempre amei, nunca fui amado
Ser amado é melhor que amar? Não sei.
Mas foi assim que disse um poeta abandonado.

sergio vaz

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