Sr. Nelson – Generosidade, só isso. — Elisabete Christofoletti

Sr. Nelson – Generosidade, só isso.

 Elisabete Christofoletti

elisabete.christofoletti@gmail.com

Antes de entrar na sessão do cinema, naquele primeiro dia de 2012, terminava de ler a Folha de São Paulo, uma matéria havia me chamado muito a atenção, não só pelas imagens, fotografias maravilhosas (que inveja criativa!), mas pela história, recheada de esperança viva e valentia. Uma força heroica que me emocionou.

A matéria vinha nominada: Prêmio À TEIMOSIA. O relado doce de um ballet em Santa Tereza no Rio, que agora também criará uma orquestra.

Nossa, ballet (lembrança doce) e orquestra (sono de consumo diário)! Em Santa Tereza, como assim? O que é?

Vânia, batalhadora pela existência do projeto, não está sozinha.

A matéria traz um episódio ocorrido, no período em que o grupo de ballet mudava de sede. Sem caminhão de mudança para fazê-la (desistência do dono ao ver só mulheres e crianças para ajudar a carregar as coisas), começa a fazer em seu carro pessoal (um fusca amarelo, modelo da época do Itamar Franco), mas estava difícil conseguir concluir mais esta tarefa heroica.

Foi quando o Sr. Nelson Silva (o condutor do bonde de Santa Tereza que morreu recentemente num acidente de trabalho onde as causas apontam para falta de reparo no carro bonde), pedia que os passageiros (brasileiros e estrangeiros) a cada volta, carregassem as caixas de mudança da escola de ballet, no bonde ao longo da viagem até o novo endereço, que também ficava no caminho. O que aconteceu.

            Este projeto, envolve toda a comunidade e seus desdobramentos são vários, abrem novos horizontes, possibilidades de outras formas de vida para cada criança, adolescente e adulto ali envolvido. Alterou de forma significativa o desempenho escolar das crianças, não só por mantê-las no colégio, mas pelo estopo necessário para que o aprendizado se dê, conseqüentemente as notas melhorarem e a evasão caiu significativamente.

Sabe, a atitude do Sr. Nelson, o condutor do bonde, nos aponta para como, de maneira tão simples, silenciosa, ele significou a própria vida, na re-signifiação da vida de outros: nos que conseguiram fazer sua mudança, nos brasileiros e estrangeiros que fizeram em seus braços a mudança da companhia.

Mais uma vez uma inveja criativa de uma vida aparentemente tão simples e tão significativa.

tartarugas podem voar

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